Homem investigado por assédio sexual em ônibus presta depoimento e alega ameaças
Homem investigado por assédio em ônibus presta depoimento

Homem investigado por assédio sexual em ônibus presta depoimento na delegacia

Um caso de importunação sexual dentro de um ônibus na Zona Sul do Rio de Janeiro ganhou repercussão após a vítima, uma jovem de 18 anos, compartilhar nas redes sociais o depoimento prestado pelo suspeito, João Victor Raphael Freitas, na 15ª DP (Gávea) nesta quinta-feira (12). O homem, que é investigado por suposta masturbação durante a viagem, afirmou à polícia que se reconhecia nas imagens, mas que só falaria sobre o caso "em juízo".

Reação da vítima e revolta nas redes sociais

A jovem desabafou em uma postagem que já ultrapassou 190 mil visualizações, expressando sua frustração com a situação. "Hoje ele saiu da delegacia pela porta da frente, acompanhado de advogados, dizendo que 'só fala em juízo'. Eu só espero por justiça", escreveu ela. A moça destacou a importância de não deixar que casos como o seu se tornem apenas mais um na estatística, incentivando outras mulheres a denunciarem situações semelhantes.

A delegada titular da 15ª DP, Daniela Terra, explicou que o suspeito responde por importunação sexual, conforme o artigo 215-A do Código Penal. "É o crime do artigo 215-A pelo fato de ele ter exposto não só a vítima, como toda a sociedade, acabando com a liberdade de ir e vir de uma mulher dentro de um transporte público", afirmou. A autoridade policial fez um apelo para que outras possíveis vítimas do mesmo autor procurem a delegacia.

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Detalhes do ocorrido e ameaças sofridas pelo suspeito

O incidente ocorreu na terça-feira (10), quando a jovem pegou o ônibus 565 (Tanque x Gávea) após sair da escola. Ela relatou que, na altura da Rocinha, o homem entrou no coletivo e sentou-se ao lado dela. Após perguntar as horas, ele começou a fazer movimentos com a mão sobre a região genital, enquanto a olhava fixamente. A vítima, com medo, gravou um vídeo e desceu do ônibus na passarela da Barra, sendo impedida pelo suspeito, que tentou convencê-la a não descer.

O vídeo, que alcançou mais de 700 mil visualizações em uma hora, levou à identificação do homem como aluno e funcionário da PUC-Rio. A universidade emitiu uma nota condenando qualquer tipo de assédio e se colocando à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.

João Victor também registrou na delegacia que teria recebido ameaças após a divulgação de seu nome e endereço nas redes sociais. Segundo ele, as ameaças incluíam seus familiares, o que o levou a deixar o bairro e se mudar para a Baixada Fluminense.

Outra possível vítima se manifesta

Uma outra mulher entrou em contato com a reportagem e afirmou ter reconhecido o suspeito nas imagens. Ela relatou que, há cerca de um ano, passou por duas situações semelhantes com o mesmo homem em ônibus na região de Benfica, na Zona Norte do Rio. Na primeira ocasião, ele teria jogado algo em seu short e usado um saco plástico como pretexto para tocá-la. Na segunda, ele a seguiu até o ponto de desembarque, alegando que sua calça estava suja. A mulher não registrou ocorrência na época.

A defesa de João Victor informou que não tem conhecimento dos fatos e que só se manifestará, em juízo, após tomar ciência do caso. A investigação continua na 15ª DP, com a polícia buscando mais evidências e testemunhas para elucidar o ocorrido.

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