Goiás enfrenta crise de desaparecimentos com mais de 3 mil casos anuais
A angústia das famílias e o trabalho incessante das autoridades não têm sido suficientes para conter o crescimento alarmante dos desaparecimentos em Goiás. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o estado registrou impressionantes 17,4 mil pessoas desaparecidas nos últimos cinco anos, o que equivale a mais de três mil casos por ano e uma média de dez desaparecimentos por dia.
Aumento expressivo e números preocupantes
O levantamento aponta um aumento de quase 33% no número de desaparecimentos de 2021 para 2025, evidenciando uma tendência crescente que preocupa especialistas e a população. Nesse mesmo período, apenas 9,2 mil casos foram solucionados, o que significa que para cada dez pessoas que desapareceram no estado, cinco casos foram concluídos e a outra metade permanece sem solução.
Os números mais recentes são ainda mais assustadores: somente entre janeiro e fevereiro de 2026, já foram registrados 562 casos de desaparecimento em Goiás, segundo informações do MJSP. A tabela abaixo detalha a evolução dos casos nos últimos anos:
- 2021: 2.921 desaparecidos, 928 localizados
- 2022: 3.464 desaparecidos, 2.024 localizados
- 2023: 3.438 desaparecidos, 1.535 localizados
- 2024: 3.792 desaparecidos, 2.291 localizados
- 2025: 3.880 desaparecidos, 2.427 localizados
Cenário diferenciado na capital goiana
Em Goiânia, no entanto, o panorama apresenta nuances diferentes. O delegado Pedromar Augusto de Souza, titular do Grupo de Investigação de Desaparecidos (GID), explicou que o grupo investiga apenas os casos ocorridos na capital. "Desde outubro de 2024 também investigamos os desaparecimentos de menores", informou o delegado.
Os resultados na capital são positivos: todos os casos de crianças e adolescentes nos últimos dois anos foram solucionados. O índice de localização de pessoas maiores de idade em Goiânia foi de 93,89% em 2024 e subiu para 96,47% no ano passado, demonstrando a eficácia do trabalho especializado.
Casos internacionais e históricos não resolvidos
Atualmente, a Difusão Amarela da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) procura sete desaparecidos em Goiás. Este alerta policial global amplia significativamente as chances de localizar uma pessoa desaparecida, especialmente quando há indícios de que ela possa estar no exterior.
O caso mais antigo é o de Rosana Ferrari Pandim, natural de São Paulo, que desapareceu aos 11 anos de idade em 1973, em Goiânia. De acordo com notícias da época, no dia 23 de novembro, Rosana foi em direção ao Instituto Santo Tomás de Aquino, na Rua 55, onde estudava, mas não chegou ao local. Testemunhas relataram tê-la visto conversando com um homem desconhecido de meia-idade. Atualmente, ela estaria com 63 anos.
Desaparecimentos recentes que se tornaram mistérios
Entre os casos mais recentes que se transformaram em verdadeiros enigmas está o desaparecimento do ativista ambiental João Paulo Vaz da Silva, de 33 anos, conhecido como "João Planta", na Chapada dos Veadeiros. Desaparecido desde 8 de dezembro de 2025, o extrativista ambiental e defensor da conservação do Cerrado era visto como um profundo conhecedor das espécies nativas.
Outro caso que permanece sem solução é o da biomédica Érika Luciana de Sousa Machado, de 47 anos, vista pela última vez no dia 1º de novembro de 2025 após bater o carro em um meio-fio em Corumbá de Goiás. A polícia já pediu a quebra do sigilo telefônico e bancário, mas as investigações não revelaram nenhum indício do paradeiro da profissional.
Histórias com desfechos trágicos e reencontros emocionantes
Alguns casos tiveram finais trágicos, como o da corretora de imóveis Daiane Alves, de 43 anos, que ficou desaparecida por mais de 40 dias até ser encontrada morta em janeiro deste ano. O síndico do prédio onde ela morava confessou o crime e foi preso por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Já o desaparecimento do advogado Pedro Henrique Lopes Silva, de 38 anos, também terminou de forma trágica quando seu corpo foi encontrado em novembro de 2025, quatro dias após seu sumiço. Um suspeito foi preso dias depois da localização do corpo.
Mas há também histórias com finais felizes, como o reencontro emocionante entre mãe e filha após mais de 40 anos, ocorrido em fevereiro deste ano na delegacia do GID em Goiânia. Maria Luiza Gomes Soares, de 68 anos, reencontrou a filha Ludimila Gomes Duarte, de 41 anos, que a procurava para entender suas origens.
Orientações importantes para famílias
O MJSP, por meio da Política Nacional de Pessoas Desaparecidas, orienta as famílias a agir imediatamente diante do desaparecimento de uma pessoa, destacando que não é necessário esperar 24 horas para registrar o boletim de ocorrência. O registro deve ser feito o quanto antes, em qualquer delegacia ou de forma online, para agilizar o início das buscas.
É fundamental fornecer o máximo de informações possíveis sobre a pessoa desaparecida, incluindo características físicas, roupas que vestia e circunstâncias do desaparecimento. No entanto, as autoridades alertam para cuidados na divulgação dessas informações, recomendando o uso apenas de contatos oficiais para evitar golpes e exploração da situação vulnerável das famílias.



