Um empresário de Monte Azul Paulista (SP) está sendo investigado por aplicar um golpe que causou prejuízo de aproximadamente R$ 800 mil a clientes que contrataram serviços de automação residencial e não receberam o que foi pago. Alinson Prado Pereira, proprietário da empresa Casa Inteligente Home e Automação, teve a prisão preventiva decretada sob acusação de estelionato e encontra-se foragido da Justiça.
De acordo com a Polícia Civil, Alinson vendia projetos que incluíam a instalação de sistemas de iluminação, climatização, câmeras, áudio e outros equipamentos controlados por aplicativo e painéis inteligentes em residências. No entanto, os serviços nunca eram concluídos. Pelo menos seis pessoas já registraram boletim de ocorrência após ficarem sem o dinheiro e sem os serviços contratados. A defesa do empresário não foi localizada até a última atualização desta reportagem.
Serviço pago, mas sem entrega
Em setembro de 2025, a advogada Lilian Cristina Vieira contratou os serviços de Alinson por R$ 80 mil, com o objetivo de realizar o sonho de ter uma casa moderna. Documentos mostram que a planta técnica com diferentes comandos inteligentes chegou a ser elaborada, mas oito meses depois, o projeto não saiu do papel. Lilian tentou diversas vezes obter respostas sobre o cumprimento do contrato, mas não obteve retorno.
“Para quem gosta dessa parte de imagem e som, parecia um parque de diversão, e fomos iludidos com tudo aquilo. Era uma empresa bem conceituada na região, que conheci através de um projeto bem-sucedido que realizaram na casa da minha irmã em Barretos”, relatou a advogada. Ela registrou boletim de ocorrência e ingressou com uma ação na Justiça pedindo reparação de danos. “É uma frustração, nos sentimos totalmente lesados e sem saber o que fazer. Como advogada, tomei as providências cabíveis e estou deixando nas mãos da Justiça”, afirmou.
Investigação
Após o registro de seis boletins de ocorrência contra o empresário, a Polícia Civil iniciou uma investigação por suspeita de estelionato. As investigações identificaram um padrão: contratos assinados pelos clientes, valores recebidos de forma antecipada pela empresa e serviços que nunca foram concluídos. “É sempre o mesmo modus operandi: contratos vultosos, pagamento de uma entrada e parcelamento do restante. O que chamou a atenção é que ele parou de responder as vítimas, sem dar qualquer satisfação”, explicou o delegado Flávio Vilella Tavares.
As investigações apontam que o prejuízo total dos clientes ultrapassa R$ 800 mil. Segundo a polícia, Alinson atua no ramo há 45 anos e possui empresas em Monte Azul Paulista, São José do Rio Preto (SP) e Palmares Paulista (SP), na região de Catanduva. A EPTV, afiliada da TV Globo, esteve no endereço da empresa em Monte Azul Paulista nesta quarta-feira (13), mas não encontrou ninguém. Vizinhos informaram que Alinson deixou o local em fevereiro deste ano e não foi mais visto.



