Paratleta cadeirante é arremessado de prédio por homem em surto psicótico no Recife
Cadeirante paratleta arremessado de prédio em surto no Recife

Tragédia em Boa Viagem: paratleta cadeirante é arremessado de prédio

Uma cena de horror marcou o bairro nobre de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, no dia 13 de fevereiro. Maycon Douglas de Jesus Almiron, um cadeirante de 30 anos que era paratleta de Mato Grosso do Sul, foi arremessado do quarto andar de um prédio junto com sua cadeira de rodas elétrica. O autor do crime, identificado como Thiago Relagado Carvalheira, de 35 anos, também se jogou do edifício após o ataque e morreu no local.

História de superação interrompida pela violência

Maycon Douglas tinha uma trajetória inspiradora no esporte paralímpico. Em 2013, ele conquistou o título de campeão em bocha adaptada nos Jogos Parapan-Americanos de Jovens, realizados em Buenos Aires. O atleta, que apresentava má formações nos braços e pernas, era conhecido por sua independência e determinação.

Segundo relatos da família, Maycon recebia uma pensão considerável por sua deficiência física, mas escolhia vender doces nas ruas de diversas cidades brasileiras por opção pessoal. Ele costumava passar longos períodos sem contato com os parentes, hospedando-se em hotéis de diferentes localidades enquanto exercia sua atividade.

Detalhes chocantes do crime

O caso ocorreu em um prédio próximo ao Segundo Jardim de Boa Viagem, uma das áreas mais valorizadas do bairro recifense. Testemunhas relataram que Maycon estava vendendo doces na orla quando foi chamado para subir ao apartamento por Thiago Carvalheira, que estava acompanhado de uma amiga.

Dentro da residência, Carvalheira começou a demonstrar comportamento agressivo. A amiga e uma empregada doméstica que estava no local não conseguiram contê-lo e fugiram do apartamento, deixando Maycon sozinho com o homem em surto. Foi nesse momento que o paratleta foi arremessado da janela do quarto andar, ainda em sua cadeira de rodas.

O delegado Rodrigo Bello, responsável pelo registro da ocorrência, explicou nas redes sociais que o autor do crime estaria em surto psicótico no momento dos fatos. Após empurrar Maycon, Carvalheira também se jogou do edifício, resultando em sua morte instantânea.

Família descobre tragédia pela internet

Maria Gabriela Almiron, prima de Maycon Douglas, revelou que a família só tomou conhecimento da morte do jovem treze dias após o ocorrido, na quinta-feira, 26 de fevereiro. A descoberta aconteceu através de publicações na internet, sendo parte da história revelada após reportagem do jornalista Wagner Oliveira em seu blog Bodega de Notícias.

"A família está sem resposta. Não sabemos quem são as mulheres que estavam no apartamento, nem por que ele foi enterrado como indigente, mesmo tendo Instagram e celular com contato de parentes", desabafou Maria Gabriela.

A secretária e maquiadora contou que a mãe de Maycon está tomando medicamentos para suportar a dor da perda, enquanto ela própria alterna entre momentos de choro e incredulidade. A última vez que o paratleta esteve em Mato Grosso do Sul foi em julho de 2025, quando passou um mês visitando a avó que o criou em Campo Grande, após cinco anos sem vê-la.

Busca por respostas e justiça

A família enfrenta ainda mais angústia devido a informações equivocadas que circularam sobre o caso, incluindo a falsa alegação de que Maycon seria pai de Thiago Carvalheira. Além disso, os parentes se questionam sobre as circunstâncias que levaram o paratleta a entrar no prédio.

"Não sabemos se meu primo entrou no prédio por livre e espontânea vontade, por exemplo. Cadê as câmeras desse prédio? Minha tia vai procurar um advogado para que a gente possa ter respostas", declarou Maria Gabriela.

Embora o delegado tenha informado que o caso está encerrado devido à morte do autor do crime, a família busca esclarecimentos sobre vários aspectos não resolvidos. Eles ainda não sabem se será possível realizar a exumação e o traslado do corpo de Maycon para Mato Grosso do Sul, nem compreendem por que ele foi enterrado como indigente apesar de possuir documentos com informações de contato dos familiares.

Maycon Douglas deixa um legado de superação no esporte paralímpico brasileiro, mas sua história foi tragicamente interrompida por um ato de violência inexplicável que continua a gerar perguntas sem respostas para aqueles que o amavam.