Homem é assassinado por homofobia em Patos de Minas; jovem preso e menor apreendido
Assassinato por homofobia em Patos de Minas: jovem preso

Homem é assassinado por homofobia em apartamento de Patos de Minas; jovem preso e menor apreendido

A Polícia Civil de Patos de Minas, no Triângulo Mineiro, confirmou que o assassinato de Kennedy Rodrigues Campos, de 26 anos, ocorrido em fevereiro, foi motivado por homofobia. O crime chocou a cidade e expôs uma trama sinistra envolvendo uma proposta criminosa.

Detalhes do crime brutal

Kennedy foi encontrado morto em seu apartamento na manhã do dia 10 de fevereiro, após uma vizinha acionar a Polícia Militar ao perceber manchas de sangue no corredor do prédio. A testemunha relatou ter ouvido gritos e barulhos intensos por volta das 2h30 da madrugada, seguidos por pessoas deixando o local às pressas.

No interior do imóvel, os militares encontraram a vítima caída em um dos quartos, já sem vida, com grande quantidade de sangue ao redor do corpo. Foram localizadas três facas com manchas de sangue - duas próximas ao corpo e uma no corredor - além de um celular.

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Confissão dos envolvidos e motivação homofóbica

Durante as investigações, a polícia prendeu um jovem de 19 anos e apreendeu um adolescente de 17 anos, ambos confessando participação no homicídio. Em depoimento, revelaram detalhes alarmantes: receberam uma proposta de que receberiam armas e drogas caso "matassem um viado".

O delegado Luis Mauro Sampaio, responsável pelo caso, esclareceu: "A vítima não seria necessariamente o Kennedy, ele foi escolhido porque supostamente devia um dinheiro relacionado a drogas. Ainda investigaremos isso. Na ocasião o jovem de 19 anos segurou Kennedy e o de 17 o esfaqueou".

Reconstituição e versão dos fatos

Segundo os suspeitos, chegaram ao apartamento por volta das 22h, onde consumiram bebidas alcoólicas e drogas com a vítima. Em determinado momento, Kennedy teria feito insinuações de cunho sexual e tocado nas nádegas de um dos suspeitos. Diante da situação, o adolescente pegou uma faca próxima à cama e desferiu um golpe no pescoço de Kennedy, enquanto o outro suspeito o imobilizava.

A perícia preliminar indica que a vítima foi atingida por apenas um golpe de faca na região do pescoço. Após o crime, os dois fugiram, esconderam-se em uma construção próxima e, ao amanhecer, solicitaram um carro por aplicativo para deixar o local.

Investigações em andamento

A Polícia Civil informou que uma equipe da Delegacia de Homicídios de Patos de Minas realizou os trabalhos iniciais de apuração e perícia criminal. Foram colhidos oito depoimentos por meio do sistema de Oitiva Virtual Móvel (OVM) e realizada a reconstituição do crime com a colaboração de um dos envolvidos.

"A Polícia continuará com investigações para identificar esse grupo que fez a proposta para os dois envolvidos no crime", afirmou o delegado Sampaio. "O que se sabe é que eles já vinham planejando o crime há algum tempo e, na data do ocorrido, usaram a faca que Kennedy pegou para se defender para matá-lo".

Consequências jurídicas

Com a conclusão da investigação, o suspeito de 19 anos foi indiciado por homicídio qualificado, por motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de corrupção de menores. Somadas, as penas podem ultrapassar 28 anos de prisão. O jovem segue preso preventivamente.

O adolescente teve o procedimento encaminhado ao Juizado da Infância e da Juventude e permanece apreendido. Os celulares dos envolvidos também foram apreendidos para investigação.

Quem era Kennedy Rodrigues Campos

Kennedy morava em Patos de Minas, onde prestava serviços na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade. A empresa Consórcio Intermunicipal de Saúde do Alto Paranaíba emitiu nota lamentando sua morte: "Kennedy atuava com dedicação, compromisso e humanidade, exercendo a enfermagem com responsabilidade, zelo e profundo respeito às pessoas".

O velório aconteceu no Memorial Vita, em Patos de Minas, e o sepultamento ocorreu no dia 11 de fevereiro. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) da cidade para exames complementares.

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As investigações continuam para entender completamente as circunstâncias do crime e posterior encaminhamento ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. A polícia busca identificar o grupo que teria feito a proposta homofóbica aos jovens envolvidos no assassinato.