Assalto a estudantes dentro de banheiro da Uerj expõe crise de segurança no campus
Estudantes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), localizada no bairro do Maracanã, na Zona Norte da capital fluminense, relataram um assalto violento ocorrido dentro de um dos banheiros da instituição. O incidente, que envolveu um homem armado, destacou uma série de roubos que têm aterrorizado alunos, professores e funcionários no interior do campus, levantando preocupações sobre a eficácia das medidas de proteção.
Detalhes do crime e relatos das vítimas
De acordo com os depoimentos, uma das vítimas estava no banheiro feminino próximo à Concha Acústica acompanhada por outras três estudantes quando um indivíduo, portando uma arma e usando uma mochila típica de entregadores, invadiu o local. O criminoso, agindo de forma agressiva, roubou os celulares das jovens e exigiu as senhas dos aparelhos. Enquanto uma das alunas sofreu prejuízos financeiros devido ao acesso às suas contas, outra, que se recusou a fornecer o código, foi brutalmente agredida.
“Ele começou a ameaçá-la, dizendo que ia matá-la, e ordenou que ela entrasse em uma das cabines. Como ela se recusou, ele a puxou pelo cabelo e bateu nela. Ela começou a gritar por socorro, e então ele fugiu. Ficamos muito nervosas, tremendo, uma das meninas chorava muito”, contou uma das vítimas, que preferiu manter o anonimato por questões de segurança. As estudantes afirmaram que não havia nenhum agente de segurança nas proximidades no momento do crime, e que a administração da Uerj foi notificada sobre o ocorrido.
Contexto de insegurança e respostas institucionais
Outros membros da comunidade universitária denunciam que assaltos e furtos têm se tornado frequentes no campus, criando um clima de medo e apreensão. “Tem ocorrido uma série de assaltos. As pessoas ficam muito temerosas em relação a roubos e pequenos furtos. A situação é complicada. Precisaríamos realmente de uma viatura”, declarou outra estudante. Além disso, há relatos de que usuários de drogas voltaram a frequentar uma praça próxima ao portão sete, aumentando a sensação de insegurança entre os frequentadores da universidade.
Em resposta, a Uerj informou que tomou conhecimento do caso e que o criminoso, ainda armado, chegou a ameaçar agentes de segurança que tentaram interceptá-lo durante sua fuga. A Polícia Militar esclareceu que a segurança interna do campus é de responsabilidade da equipe patrimonial da instituição, mas destacou que realiza patrulhamento regular nos acessos ao local. Enquanto isso, a 18ª Delegacia de Polícia (Praça da Bandeira) assumiu a investigação do caso e solicitou acesso às imagens das câmeras de segurança internas da Uerj para auxiliar nas diligências.
Dados oficiais e contradições na segurança
Paradoxalmente, dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) indicam uma queda no número de roubos na área do 6º Batalhão da Polícia Militar (Tijuca), que é responsável pelo policiamento da região onde a Uerj está situada. Essa estatística contrasta com os relatos de aumento da criminalidade dentro do campus, sugerindo possíveis lacunas na cobertura de segurança ou na comunicação entre as autoridades. O caso reforça a necessidade de uma revisão urgente das estratégias de proteção na universidade, visando garantir a segurança de todos os seus integrantes e prevenir futuros incidentes violentos.



