A filha de Milce Daniel Pessoa, a idosa de 72 anos encontrada morta em uma área de mata após seis dias desaparecida em Bayeux, na Grande João Pessoa, falou sobre a relação da mãe com Willis Cosmo, o amigo que foi levado à delegacia para prestar esclarecimentos nesta quarta-feira (29).
Relação de longa data
De acordo com Suênia Pessoa, a amizade entre os dois era antiga e baseada em ajuda mútua. Eles costumavam ir juntos a consultas médicas e auxiliavam em tarefas domésticas. Milce também ajudava nos cuidados com a mãe de Willis, que é acamada. Apesar de ter sido conduzido para esclarecimentos, a polícia ainda não trata o homem como suspeito.
"Eu sabia que ela ia muito na casa dele, porque ela gostava de ajudar, que conhecia a mãe dele e ajudava a senhora acamada, que já conhecia de muitos anos. Então, realmente, eles tinham uma relação de muita amizade, de sair com ela, de passear, de resolver problemas médicos dele, da mãe dele, inclusive às da minha mãe", explicou a filha.
Desconfiança da versão
Após o corpo ser localizado, Suênia declarou que não confia na versão contada pelo homem. Segundo ele, na última quarta-feira (22), após acompanhá-lo em uma consulta no Hospital Metropolitano, em Santa Rita, eles teriam ido colher mangas em um terreno. "Já estava esperando, infelizmente, esse desfecho porque não tinha como uma história dessas ser verdadeira. Agora é esperar a justiça e que ele fale se tinha mais alguém, se foi ele, o que foi que ele fez, e aguardar a perícia com o resultado final", disse.
Divergências nos depoimentos
A Polícia Civil apontou contradições nos depoimentos anteriores de Willis Cosmo. O delegado Douglas García informou que as divergências envolvem os horários da saída do hospital e a ida para a região de mata. "Diversas pessoas foram ouvidas, familiares deram detalhes de horários. Sabemos que do Hospital Metropolitano para cá não passa de 15 minutos. Se uma pessoa sair de lá por volta de 10h30, 11h, não chegaria aqui 13h. Isso é uma pergunta que precisa ser respondida", afirmou.
O delegado disse também que, na terça-feira (28), o trajeto foi refeito com o amigo, cronometrado pelas autoridades. "Em todas as vezes que o trajeto foi feito, não seria possível, em hipótese nenhuma, chegar ali por volta das 13h e, como ele narrou, que não parou em nenhum local, veio diretamente para cá, isso causou muito estranhamento", ressaltou.
Reconhecimento do corpo
O genro de Milce fez o reconhecimento do corpo e informou que, apesar do estado avançado de decomposição, características como a roupa, cor das unhas e maçãs do rosto coincidem com a idosa desaparecida. O delegado Douglas Garcia informou que o corpo passará por exames para confirmação. "Existem procedimentos primários e secundários para identificação do cadáver. Até o momento foi identificada a cor das unhas, confirmada pelo genro, o vestido verde, uma pulseira que ela usa".
Investigação e perícia
As buscas foram realizadas em uma região de mata com apoio do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e cães farejadores. Na segunda-feira (27), durante perícia no carro do homem, foram encontrados fios de cabelo e um pedaço de tecido na mesma cor do vestido da idosa. O material foi recolhido para análise. A casa do homem também foi periciada. O delegado não informou detalhes sobre os motivos das perícias ou se o homem é considerado suspeito.



