Violência escolar em Mato Grosso: agressões recorrentes dobram entre estudantes
O número de estudantes de Mato Grosso que sofreram agressões físicas duas ou mais vezes dobrou significativamente entre os anos de 2019 e 2024, conforme dados alarmantes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O percentual saltou de 5,5% para 10%, evidenciando um crescimento preocupante na frequência das violências enfrentadas por adolescentes de 13 a 17 anos no estado.
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar
As informações são parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, que ouviu alunos do 7º ao 9º ano do ensino fundamental e do 1º ao 3º ano do ensino médio, tanto em escolas públicas quanto privadas. Mato Grosso possui aproximadamente 241 mil estudantes nessa faixa etária, com a maioria matriculada na rede pública de ensino.
Além do aumento nas agressões recorrentes, a pesquisa revela que mais de 16% dos alunos deixaram de ir à escola ao menos uma vez em um período de 30 dias por se sentirem inseguros. Esse dado destaca o impacto direto da violência na frequência escolar e no bem-estar dos jovens.
Estabilidade nos casos isolados versus crescimento nas agressões múltiplas
Enquanto os casos de agressão física isolada se mantiveram praticamente estáveis – com 7,3% dos alunos relatando ter sido agredidos ao menos uma vez nos 30 dias anteriores à coleta, comparado a 7,5% em 2019 –, os casos recorrentes apresentaram um aumento expressivo. O relatório do IBGE indica que essa mudança sugere uma intensificação da violência entre parte da juventude mato-grossense.
Bullying: um problema transversal
O levantamento aponta que o bullying atinge alunos de escolas públicas e privadas de forma semelhante, demonstrando que o problema está distribuído em diferentes contextos sociais. Entre os principais motivos relatados pelos estudantes estão:
- Aparência física, incluindo rosto, cabelo e corpo
- Cor ou raça
- Religião
- Sotaque
- Orientação sexual
Casos recentes que ilustram a gravidade
Episódios de violência escolar já chamaram atenção no estado em 2026, reforçando os dados preocupantes da pesquisa. Em Jaciara, um adolescente de 17 anos agrediu um colega de 15 anos com socos e uma cadeirada dentro da sala de aula, com as imagens sendo registradas por câmeras de segurança. Também em março, em Sorriso, uma estudante de 14 anos desmaiou após ser agredida por uma colega de 16 anos na saída da escola.
Esses incidentes, somados aos números do IBGE, pintam um quadro urgente sobre a necessidade de medidas efetivas para combater a violência nas escolas de Mato Grosso, garantindo um ambiente seguro e acolhedor para todos os estudantes.



