A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) manifestou forte descontentamento, nesta quinta-feira (23), em relação à declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que afirmou que delegados e agentes da Polícia Federal estão "fingindo trabalhar" no combate ao crime organizado. Em nota oficial, a ADPF expressou sua preocupação com o ocorrido e defendeu que "o foco do debate deveria estar em temas estruturantes e urgentes para o enfrentamento ao crime organizado".
Lula fez a declaração durante a Feira Brasil na Mesa, promovida pela Embrapa, em Planaltina, Distrito Federal. Na ocasião, o presidente comentava a nomeação de novos servidores da PF e também afirmou que determinou ao ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, que convoque todos os servidores que estão fora da corporação para retornar aos seus cargos. A previsão do Executivo é que todos os postos da Polícia Federal sejam ocupados até o fim do ano.
Em sua nota, a ADPF enfatizou: "Não se deve induzir a sociedade a acreditar que a anunciada medida de retorno será o que irá vencer o crime organizado". A entidade listou uma série de limitações técnicas e de mão de obra enfrentadas pela Polícia Federal, destacando a necessidade de implementar políticas consistentes de valorização, retenção de talentos e financiamento adequado da instituição. "Declarações que desqualificam policiais não contribuem para esse objetivo e fragilizam o debate público sobre segurança", acrescentou a associação.
A ADPF também reforçou a importância do diálogo contínuo com o governo federal para o aperfeiçoamento das "políticas de segurança pública em benefício da sociedade brasileira".
Nomeação de novos policiais
Na quarta-feira (22), Lula anunciou a contratação de 1 mil novos policiais federais para reforçar o combate ao crime organizado. Em um vídeo gravado para as redes sociais, o presidente detalhou as nomeações: serão 630 agentes, 160 escrivães, 120 delegados, 69 peritos e 21 papiloscopistas.



