Vereadores presos em operação da PF por financiamento de campanhas por facção criminosa
Vereadores presos por financiamento de campanhas por facção

Operação da PF prende vereadores por suspeita de financiamento criminoso de campanhas

A Câmara Municipal de Morada Nova, localizada no interior do estado do Ceará, anunciou a suspensão imediata de todas as suas atividades legislativas e administrativas nesta quinta-feira, dia 12 de março. A medida foi tomada após a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (Ficco-CE) efetuar a prisão de cinco vereadores da casa, que são investigados por supostamente receberem financiamento ilícito para suas campanhas eleitorais, proveniente de uma organização criminosa.

Suspensão das atividades e comunicado oficial

Em um comunicado publicado nas redes sociais da instituição, a Câmara informou à população sobre a paralisação das atividades e o cancelamento de todos os eventos que estavam agendados para a data. "Informamos a toda população que a Câmara Municipal de Morada Nova suspenderá suas atividades legislativas e administrativas na data de 12 de março. Em virtude da suspensão, os eventos agendados para este dia estão cancelados", diz a nota oficial. A casa legislativa, composta por um total de quinze vereadores, não detalhou os motivos específicos da suspensão em seu comunicado público.

O local foi alvo de busca e apreensão durante a Operação Traditori, conduzida pelas autoridades. A reportagem tentou contato com a Câmara Municipal de Morada Nova para obter mais esclarecimentos sobre a operação policial, mas não obteve retorno até o momento. A Polícia Federal (PF), que integra a Ficco e é responsável pela divulgação dos detalhes da operação, ainda não revelou publicamente o nome da facção criminosa envolvida nem a identidade dos vereadores que foram presos.

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Detalhes da Operação Traditori e investigações

De acordo com as informações divulgadas pela Polícia Federal, os vereadores sob investigação tiveram suas campanhas eleitorais para as eleições municipais de 2024 financiadas com recursos originados de uma facção criminosa. Em troca desse suporte financeiro, os agentes públicos teriam oferecido vantagens políticas e institucionais aos integrantes da organização criminosa, configurando um grave caso de infiltração do crime organizado na esfera pública.

A Operação Traditori cumpriu um total de 16 mandados de prisão preventiva, sendo cinco deles direcionados aos vereadores, além de 30 mandados de busca e apreensão. Essas ordens judiciais foram executadas não apenas na câmara municipal, mas também em endereços residenciais e empresariais ligados aos investigados. As medidas foram expedidas pela 93ª Zona Eleitoral de Fortaleza e abrangeram os municípios cearenses de Fortaleza, Chorozinho, Morada Nova, Limoeiro do Norte e Pedra Branca, além da cidade de São Paulo, no estado de São Paulo.

Além das prisões, os vereadores envolvidos foram afastados de suas funções públicas por determinação da Justiça Eleitoral. A mesma instância judicial também ordenou o sequestro e bloqueio de bens e valores dos investigados, com o objetivo principal de interromper o fluxo financeiro suspeito e garantir a apuração completa dos fatos.

Origem da investigação e crimes imputados

A investigação que deu origem à operação teve início após o compartilhamento de dados pela Delegacia de Polícia de Morada Nova e pelo Departamento de Polícia do Interior Sul. Essas informações indicavam o envolvimento direto de uma facção criminosa nas eleições municipais de Morada Nova realizadas em 2024. "A investigação revelou a existência de um complexo esquema criminoso, vinculado a uma facção responsável pela movimentação e ocultação de recursos de origem ilícita, posteriormente utilizados para financiar campanhas eleitorais nas eleições municipais de 2024, com clara infiltração do crime organizado na esfera pública", detalhou a Polícia Federal em seu comunicado oficial.

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Os investigados são suspeitos de cometer uma série de crimes graves, incluindo lavagem de dinheiro, organização criminosa, tráfico de drogas e crimes eleitorais. A Ficco-CE, força-tarefa responsável pela operação, é composta por várias instituições, como a Polícia Federal, a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), a Polícia Militar do Ceará (PMCE), a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização do Estado do Ceará (SAP), a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) e a Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), demonstrando o caráter multidisciplinar e integrado da ação contra o crime organizado na região.