Vereadores do RS são afastados por suspeita de rachadinha após operação policial em Câmara
Vereadores afastados por suspeita de rachadinha no RS

Operação policial interrompe reunião e afasta vereadores por suspeita de rachadinha no RS

Uma reunião da Câmara Municipal de São Gabriel, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, foi interrompida abruptamente nesta quinta-feira (19) pela Polícia Civil, que cumpriu mandados de busca e apreensão no legislativo municipal. A operação resultou no afastamento cautelar de dois vereadores e dois servidores por suspeita de envolvimento em esquema de rachadinha.

Medidas judiciais e afastamentos

Por determinação judicial, foram afastados das funções o 2º vice-presidente da Câmara, Rodrigo Cardoso Machado, o 1º secretário, Elson Amilton da Silva Teixeira, e dois servidores cujos nomes não foram divulgados. Ambos os parlamentares são filiados ao PDT e estão proibidos de manter qualquer tipo de contato com os demais servidores da casa legislativa, seja pessoalmente, virtualmente ou por intermédio de terceiros, sob pena de prisão em caso de descumprimento.

O presidente do Legislativo, Moisés Silveira Marques (PDT), afirmou em nota que "a Câmara Municipal, enquanto instituição, não foi previamente comunicada acerca da operação, tendo tomado conhecimento dos fatos no momento de sua execução", mas garantiu total colaboração com as autoridades desde então.

Investigação e depoimentos reveladores

A polícia investiga suspeitas de exigência de vantagens indevidas de servidores e assessores, prática conhecida como rachadinha, que consiste na devolução de parte dos salários ao político que realizou a contratação. Segundo depoimentos colhidos pelas autoridades, uma servidora relatou que teria sido obrigada a repassar R$ 1,3 mil mensais ao vereador Elson Amilton, além de pagar boleto de mensalidade de curso para a esposa do parlamentar.

Outro funcionário afirmou que estaria repassando o mesmo valor mensalmente ao vereador, com o dinheiro sendo entregue "embaixo de uma árvore, em frente ao prédio da Câmara". A Polícia Civil já solicitou a quebra de sigilo bancário dos investigados e apreendeu documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais que serão submetidos à análise pericial.

Defesas e posicionamentos

A defesa do vereador Rodrigo Cardoso Machado, representada pelo advogado Tiago Freitas Mesquita, emitiu nota afirmando a inocência do parlamentar e destacando que o processo tramita sob segredo de justiça, o que limitaria o acesso completo aos autos. "A defesa confia plenamente no trabalho técnico da Polícia Civil e do Poder Judiciário", afirmou o documento.

Já a advogada do vereador Elson Amilton da Silva Teixeira, Dra. Viviane Bertol, esclareceu que a defesa acompanha atentamente a investigação e que qualquer manifestação detalhada ocorrerá exclusivamente nos autos, no momento processual adequado, sem comentários adicionais sobre o mérito no momento atual.

Posicionamento partidário e institucional

O Partido Democrático Trabalhista (PDT) de São Gabriel emitiu nota reafirmando seu compromisso histórico com a ética e a legalidade, confiando no trabalho das instituições responsáveis pela apuração dos fatos. O partido defendeu que a investigação seja conduzida com seriedade, transparência e respeito ao devido processo legal, garantindo a presunção de inocência e o direito de defesa.

A Presidência da Câmara Municipal de São Gabriel destacou em comunicado oficial que as medidas adotadas possuem natureza cautelar e individual, não representando juízo definitivo de culpa, e que adotará as providências administrativas e regimentais cabíveis para assegurar a continuidade dos trabalhos legislativos e a normalidade institucional da casa.

A operação policial representa mais um capítulo no combate à corrupção em âmbito municipal, com investigações que buscam apurar supostos desvios éticos e legais no legislativo gabrielense, mantendo a atenção das autoridades e da população sobre os desdobramentos processuais que ainda estão por vir.