Vereador carioca é detido em megaoperação contra estrutura nacional do Comando Vermelho
A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta quarta-feira (11) a Operação Contenção Red Legacy, com o objetivo de desarticular a estrutura nacional do Comando Vermelho (CV). Durante coletiva de imprensa, o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, detalhou que a ação visava uma organização criminosa com características de cartel e atuação interestadual altamente estruturada.
Mandados cumpridos e prisões efetuadas
Agentes da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) saíram para cumprir 13 mandados de prisão. Até o momento da última atualização, 7 pessoas haviam sido presas, enquanto 4 alvos já se encontravam encarcerados anteriormente. Entre os detidos estão:
- 6 policiais militares
- O vereador carioca Salvino Oliveira (PSD)
Considerados foragidos estão Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mulher do traficante Marcinho VP e mãe de Oruam, além de Landerson Lucas dos Santos, sobrinho de Marcinho VP.
Acusações específicas contra o vereador
A investigação policial descobriu tentativas de interferência política em áreas dominadas pelo tráfico, com o objetivo de transformar esses territórios em bases eleitorais. Segundo elementos reunidos pela polícia, o vereador Salvino Oliveira teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, área sob domínio do Comando Vermelho.
Em contrapartida, o parlamentar teria articulado benefícios ao grupo criminoso, apresentados publicamente como ações voltadas à população local. Um dos exemplos investigados envolve a instalação recente de quiosques na região, cuja definição de beneficiários teria sido determinada diretamente por integrantes da facção, sem processo público transparente.
Salvino Oliveira negou qualquer ligação com o traficante Doca, afirmou não ter envolvimento com a instalação de quiosques na Gardênia Azul e disse não conhecer o sobrinho do traficante Marcinho VP. "Estou sendo vítima de uma briga política que não é minha", declarou o vereador.
Papel central da família de Marcinho VP
A polícia afirma que Marcinho VP continua exercendo papel central na estrutura de comando da facção mesmo após quase três décadas no sistema prisional. As investigações indicam que VP é um dos integrantes do "conselho federal permanente" do CV.
A delegacia especializada afirma que Márcia Nepomuceno, mulher de Marcinho VP, atua na intermediação de interesses do grupo fora do sistema prisional, participando da circulação de informações e de articulações envolvendo operadores da organização e agentes externos. Landerson, sobrinho do chefão, segundo a polícia, exerce papel de elo entre lideranças da facção, integrantes que atuam em comunidades dominadas pelo grupo e pessoas envolvidas em atividades econômicas exploradas pela organização criminosa.
Perfil do vereador Salvino Oliveira
Salvino Oliveira tem 29 anos e nasceu na Cidade de Deus. Quando era criança, vendeu balas e água em ônibus para reforçar o orçamento da família. Aos 7 anos, entrou no Colégio Pedro II por meio de um sorteio. Além de ambulante, foi garçom e ajudante de pedreiro antes de se formar em Gestão Pública pela UFRJ.
Em 2021, foi escolhido como secretário municipal especial da Juventude pela gestão de Eduardo Paes, quando tinha apenas 22 anos. Foi eleito vereador pelo PSD com mais de 27 mil votos e está no primeiro mandato. Seu projeto mais conhecido é o de regulação do aluguel por temporada na cidade, que procura definir regras para o setor e discute a necessidade de compartilhamento de informações pelas empresas do setor de hospedagem.
Posicionamento institucional
A Câmara de Vereadores do Rio emitiu nota afirmando que "acompanha o desenrolar dos fatos e se coloca à disposição das autoridades competentes para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários". O Legislativo municipal reafirmou sua confiança no trabalho das instituições e no devido processo legal.
A operação também revelou indícios de cooperação entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC), ampliando as dimensões da investigação sobre as redes criminosas atuantes em território nacional.



