PF investiga lavagem de dinheiro em contrato milionário da Fundação Cultural do Pará
PF investiga lavagem em contrato milionário no Pará

Operação da PF desarticula esquema de lavagem de dinheiro no Pará

A Polícia Federal (PF) está investigando um complexo esquema de lavagem de dinheiro envolvendo contratos milionários da Fundação Cultural do Pará (FCP). Na última segunda-feira (16), agentes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) prenderam três homens em Belém, incluindo um assessor da Casa Civil do estado.

Exoneração de assessor após prisão

O governo do Pará exonerou Michel Silva Ribeiro, assessor da Casa Civil preso pela PF, através de decreto assinado pelo governador Helder Barbalho (MDB) na terça-feira (17). A exoneração foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta quarta-feira (18). Michel Ribeiro trabalhava como assessor da Casa Civil desde agosto de 2011 e recebia R$ 6.430,51 mensais, conforme dados do Portal da Transparência referentes a fevereiro de 2026.

Operação policial e apreensões

Durante a ação policial, os agentes da PF interceptaram um saque suspeito de R$ 500 mil em espécie realizado em uma agência bancária de Belém. Os policiais apreenderam a mochila com o dinheiro, uma pistola Glock 19, cinco celulares e um veículo Land Rover. Houve troca de tiros durante a tentativa de fuga dos suspeitos, mas ninguém ficou ferido.

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O relatório da PF detalha uma rede de "laranjas" e ocultação patrimonial, com indícios de corrupção envolvendo servidor público da Casa Civil. As investigações apontam que o dinheiro estava ligado a contratos com a Fundação Cultural do Pará que somam R$ 3,8 milhões.

Como ocorreu o saque suspeito

Por volta das 15h30 de segunda-feira, Ronaldy Rian Moreira Gomes sacou exatamente R$ 500 mil em espécie de uma conta corrente da empresa Solucione Produções Comércio de Livros e Serviços Ltda. A justificativa do saque era "pagamentos a bandas e fornecedores", o que seria incompatível com a renda declarada de Ronaldy e o ramo da empresa.

Ao deixar a agência, Ronaldy se dirigiu a um veículo blindado estacionado nos arredores, onde estavam Felipe Linhares Paes (motorista) e Michel Silva Ribeiro (passageiro). Quando os agentes da FICCO iniciaram a abordagem, Felipe tentou fugir avançando o veículo contra os policiais e bateu o cano da pistola no vidro, apontando para os agentes.

Quem são os investigados

Os três homens presos apresentam diferentes papéis no esquema investigado:

  • Felipe Linhares Paes: Empresário que teria utilizado veículo e empresa ocultados através de laranjas
  • Ronaldy Rian Moreira Gomes: Operador de dobradeira em gráfica, apontado como "laranja" de Felipe desde outubro de 2025, recebendo R$ 3.000 para figurar como sócio formal da Solucione
  • Michel Silva Ribeiro: Assessor com cargo comissionado na Casa Civil do Pará há 15 anos, que afirmou em depoimento estar em "reunião casual sobre produção de livros didáticos" e pegou carona ao banco sem saber do saque ou arma

Suspensões de lavagem e corrupção

As investigações tiveram como base um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que indicou que a empresa Solucione recebeu valores de investigados por tráfico e lavagem de dinheiro. A apuração também revela uma suposta rede de pessoas jurídicas interligadas por um procurador comum, sendo titulares de contas bancárias sem capacidade econômica correspondente.

Os crimes em investigação incluem:

  1. Lavagem de dinheiro
  2. Associação criminosa
  3. Corrupção
  4. Resistência
  5. Porte ilegal de arma

Andamento do caso

Os presos foram levados para a Central de Triagem Masculina da Marambaia e realizaram exames de corpo de delito no IML. O relatório da PF foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), Justiça e Defensoria Pública. O caso está sob sigilo de justiça, e a reportagem tenta contato com as defesas dos envolvidos e com a Fundação Cultural do Pará.

Michel Ribeiro negou conhecimento sobre contratos entre a empresa Solucione e a FCP, enquanto Ronaldy afirmou em depoimento que foi "a primeira vez" em uma operação de saque dessa magnitude. As investigações continuam para desvendar toda a extensão do esquema criminoso.

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