Governo de Minas multa Vale em R$ 88 milhões por fraude em barragem de Brumadinho
Vale multada em R$ 88 milhões por fraude em Brumadinho

Minas Gerais aplica multa milionária à Vale por fraude em barragem de Brumadinho

O Governo de Minas Gerais impôs uma multa de aproximadamente R$ 88 milhões à mineradora Vale S.A. por fraude na apresentação de informações sobre a segurança da barragem que se rompeu em Brumadinho, em janeiro de 2019. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta sexta-feira (20) e representa mais um capítulo na responsabilização administrativa da empresa pelo desastre ambiental e humano que deixou 272 vítimas fatais.

Processo administrativo revela conduta fraudulenta

A penalidade é resultado de um processo administrativo conduzido pela Controladoria-Geral do Estado (CGE), que concluiu que a Vale forneceu dados falsos sobre a estabilidade da estrutura do Complexo Córrego do Feijão. Segundo as investigações, essas informações inverídicas dificultaram significativamente a atuação dos órgãos de fiscalização, incluindo a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e o Ministério Público de Minas Gerais.

O Diário Oficial do Estado detalha que a mineradora utilizou uma empresa intermediária, a TuvSud, para emitir relatórios técnicos e declarações de condição de estabilidade com "conteúdos inverídicos" sobre a barragem. Esses documentos teriam ocultado a real situação crítica de segurança da estrutura, impedindo que as autoridades públicas tomassem medidas preventivas adequadas.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Valor da multa e obrigações adicionais

A multa aplicada pelo Estado de Minas Gerais totaliza R$ 87.985.440,33, valor que corresponde a 0,1% do faturamento bruto estimado da Vale no ano de 2019. Além da penalidade financeira, a Controladoria-Geral do Estado determinou que a empresa:

  • Divulgue a decisão condenatória em meios de comunicação de grande circulação
  • Publique a condenação em seu próprio site institucional por período determinado

Essas medidas reforçam o caráter pedagógico da punição e buscam garantir transparência pública sobre as irregularidades cometidas. A decisão se baseia na Lei Anticorrupção, que considera fraude contra a administração pública não apenas pagamentos de propina, mas também situações em que empresas dificultam a atuação do poder público.

Histórico de penalidades e possibilidade de recurso

Esta não é a primeira multa aplicada à Vale relacionada ao desastre de Brumadinho. Recentemente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve uma penalidade de R$ 86,2 milhões imposta pela Controladoria-Geral da União, também por omissão e envio de dados falsos que prejudicaram a fiscalização da Agência Nacional de Mineração.

Na decisão unânime do STJ, a ministra relatora Regina Helena Costa destacou que a conduta da Vale comprometeu a fiscalização e pode ter impedido medidas que evitariam ou reduziriam os impactos da tragédia. O tribunal reforçou que a empresa deixou de comunicar problemas relevantes na estrutura, como o rompimento de um dreno considerado grave.

A Vale tem prazo de 15 dias, contados a partir da publicação no Diário Oficial, para recorrer da decisão do Governo de Minas Gerais. Em nota anterior sobre a condenação do STJ, a empresa afirmou que "não praticou atos de corrupção" e informou que pretendia recorrer ao Supremo Tribunal Federal.

Impactos do desastre e investigações em andamento

O rompimento da barragem do Complexo Córrego do Feijão, ocorrido em 25 de janeiro de 2019, é considerado uma das maiores tragédias socioambientais do Brasil. Além das 272 vítimas fatais, o desastre causou:

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar
  1. Destruição completa da comunidade de Córrego do Feijão
  2. Contaminação extensa do Rio Paraopeba
  3. Impactos ambientais de longo prazo na região
  4. Prejuízos econômicos para comunidades locais

A decisão administrativa do Governo de Minas Gerais se soma a outras ações judiciais e investigações que continuam em andamento sobre o rompimento da barragem. Esses processos buscam estabelecer responsabilidades civis, criminais e administrativas pela tragédia, com o objetivo de garantir justiça para as vítimas e suas famílias.