Resgate do BRB após fraude bilionária do Master pode custar caro aos contribuintes
Resgate do BRB após fraude do Master custará caro

Banco estatal de Brasília envolvido em operação bilionária com títulos falsos

O Banco de Brasília (BRB), instituição financeira controlada pelo governo do Distrito Federal, foi arrastado para o centro de uma fraude financeira de proporções bilionárias. A instituição pagou a impressionante quantia de R$ 12 bilhões por um pacote de títulos do grupo Master que, posteriormente, revelaram-se completamente falsos.

Operação com claro viés político e empresarial

O negócio ocorreu no ano passado, quando tanto o BRB quanto a corretora privada Master enfrentavam sérias dificuldades financeiras. Uma rede de proteção de interesses políticos e empresariais empurrou o banco estatal para essa transação questionável. Os associados do Master conseguiram vender os títulos pelo dobro do valor que teriam pago para adquiri-los, em uma operação que beneficiava claramente o conglomerado privado.

O plano inicial era ainda mais ousado: uma associação entre BRB e Master que salvaria o grupo privado da asfixia financeira e daria aos empresários uma posição relevante no banco estatal, cujas operações se estendem por 18 estados brasileiros, além do Distrito Federal.

Veto do Banco Central e descoberta da fraude

O governo de Brasília chegou a autorizar a compra de 58% do Master pelo BRB, mas o Banco Central interveio e vetou a operação. Três meses depois, a autoridade monetária anunciou a liquidação do Master e, na sequência, também da corretora Reag.

Foi então que se descobriu a verdadeira dimensão do escândalo: os títulos adquiridos pelo BRB nunca existiram. Eram documentos falsos, sem lastro, garantia real, histórico ou qualquer documentação comprobatória. O banco estadual ficou com um prejuízo bilionário em uma operação politicamente orientada.

Silêncio do governador e possíveis soluções

Até o momento, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha – virtual candidato ao Senado pelo MDB local – não esclareceu adequadamente sua participação ou conhecimento sobre a operação. O BRB agora depende de um socorro financeiro governamental para sobreviver.

Embora o banco alegue ter recuperado parte do dinheiro "investido" no Master, ainda faltariam cerca de três bilhões de reais segundo contas informais. Caso o governo de Ibaneis Rocha não consiga resgatar a instituição, o banco de Brasília poderá ser "federalizado" pelo governo Lula, seguindo o mesmo caminho de outras instituições estaduais no passado.

Conta será paga por todos os contribuintes

Independentemente da solução encontrada, uma coisa é certa: salvar o BRB do golpe do Master vai custar caro. A conta final, que pode chegar a bilhões de reais, será paga por todos os brasileiros, seja através de recursos públicos ou ajustes no sistema financeiro. O episódio expõe mais uma vez as vulnerabilidades do sistema bancário estadual e as consequências de operações com viés político.