Prefeito de Ibirapuitã nomeia filho de 18 anos como secretário da Fazenda e MP ordena exoneração por nepotismo
O prefeito de Ibirapuitã, cidade localizada no Norte do Rio Grande do Sul, Rosemar Hentges, nomeou o próprio filho, Lorenzo Hentges, como secretário da Fazenda do município. A nomeação, considerada um caso claro de nepotismo pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), resultou na ordem de exoneração do jovem, que foi cumprida nesta quarta-feira, 11 de setembro. Procurado pelo g1 para comentar o caso, o prefeito se recusou a se manifestar, afirmando apenas: "Não queremos nos manifestar".
Denúncia anônima levou ao caso no Ministério Público
O caso chegou ao conhecimento do MPRS através de uma denúncia anônima, que alertou para a nomeação irregular. Lorenzo Hentges assumiu o cargo no dia 23 de junho do ano passado, apenas um dia após completar 18 anos de idade. A promotora Ana Maria Dal Moro Maito, responsável pelo processo, avaliou que a nomeação ocorreu "única e simplesmente em razão da relação de parentesco havida entre as partes", caracterizando-a como ato de improbidade administrativa.
Falta de qualificação técnica foi ponto crucial na decisão do MP
De acordo com o Ministério Público, Lorenzo Hentges não possuía a qualificação técnica necessária para desempenhar as funções de secretário da Fazenda. Conforme a documentação enviada pela prefeitura de Ibirapuitã ao MP, o filho do prefeito ainda estava cursando o 3º ano do ensino médio quando assumiu a pasta. Este ano, ele se matriculou no curso de Direito da Universidade Federal de Passo Fundo, mas essa formação foi considerada insuficiente para o cargo.
O MP destacou em sua decisão que "o cargo de Secretário da Fazenda exige alta qualificação técnica (conhecimento em finanças e administração públicas, contabilidade, orçamento, gestão fiscal, análise de receitas e despesas públicas, condução de políticas fiscais etc)". A promotora Ana Maria reforçou que "cargos públicos, remunerados com dinheiro público, e para o bem do interesse público, devem ser preenchidos por agentes capacitados e não meramente com base na 'confiança' e em laços sanguíneos".
Detalhes da nomeação e remuneração
Lorenzo Hentges permaneceu no cargo por quase nove meses, recebendo um salário de R$ 5.271,21 em seu último pagamento, no início de março. A exoneração, ordenada pelo MPRS, foi implementada rapidamente após a decisão, refletindo a seriedade com que o caso foi tratado pelas autoridades.
Este incidente serve como um alerta sobre a importância da transparência e meritocracia na administração pública, especialmente em cargos de alta responsabilidade fiscal como o de secretário da Fazenda. A ação do Ministério Público reforça o compromisso com o combate a práticas de nepotismo e improbidade, garantindo que os recursos públicos sejam geridos por profissionais qualificados.



