Operação Copia e Cola: MPF denuncia prefeito afastado de Sorocaba e mais 12 por esquema de corrupção na saúde
O Ministério Público Federal (MPF) apresentou uma denúncia contra o prefeito afastado de Sorocaba, Rodrigo Manga, sua esposa, Sirlange Frate Maganhato, e outras 11 pessoas por envolvimento em um esquema de corrupção na área da saúde do município. A investigação, conduzida pela Polícia Federal na operação Copia e Cola, apura desvios de verbas em contratos para a administração de duas unidades de saúde.
Estrutura do esquema em três núcleos
Segundo a denúncia, acessada pelo g1 e TV TEM, o esquema era organizado em três núcleos distintos, cada um com funções específicas para facilitar os crimes.
Núcleo Político e Administrativo: composto por agentes públicos, incluindo Rodrigo Manga, apontado como a peça-chave e líder do grupo. Eles são acusados de direcionar contratações e fraudar licitações em troca de vantagens indevidas. Os crimes alegados incluem organização criminosa, peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Núcleo Empresarial: formado por representantes da Organização Social Aceni e da AP Engenharia, responsáveis por corromper agentes públicos e operacionalizar os desvios. Eles simulavam serviços fictícios, com relatórios copiados da internet, para justificar pagamentos.
Núcleo Financeiro e de Lavagem de Dinheiro: encarregado de ocultar e integrar os valores ilícitos ao patrimônio dos envolvidos. Participantes como a primeira-dama e empresários usaram contratos simulados e compras de imóveis para lavar dinheiro.
Lista dos denunciados e seus papéis
Além de Rodrigo Manga e sua esposa, os denunciados incluem:
- Fausto Bossolo, ex-secretário de Administração, atuando como braço direito do prefeito.
- Vinícius Tadeu Sattin Rodrigues, ex-secretário de Saúde, instrumentalizando fraudes.
- Paulo Korek, Anderson Santana e Sérgio Peralta, do núcleo empresarial, idealizadores do esquema.
- Marco Silva Mott, operador financeiro, armazenando grandes quantias em dinheiro vivo.
- Josivaldo Batista de Souza e Simone Rodrigues Frate de Souza, cunhados do prefeito, usando entidade religiosa para lavagem.
- Rafael Pinheiro do Carmo e Cláudia Cenci Guimarães, atuando como laranjas em compras de imóveis.
- Zoraide Batista Maganhato, mãe de Rodrigo Manga, participando da ocultação de recursos.
Pedidos do MPF e reações das defesas
O MPF solicita a perda do cargo de Rodrigo Manga e sua inelegibilidade por cinco anos. A defesa do prefeito afastado e de sua esposa optou por não comentar o caso. Advogados de outros denunciados, como Paulo Korek, afirmam respeitar a investigação e demonstrarão a inocência, enquanto a defesa de Vinícius Rodrigues critica supostas falhas no processo.
Contexto legal e próximos passos
O caso tramita na Justiça Federal devido ao desvio de verbas federais destinadas à saúde. Após a intimação, os denunciados podem apresentar defesa preliminar, e um desembargador decidirá se aceita a denúncia, tornando-os réus. A operação Copia e Cola começou em maio de 2022, focando em contratos emergenciais de unidades de saúde em Sorocaba.



