Polícia Civil declara ausência de registros em investigação de secretário municipal
A Polícia Civil de Pernambuco emitiu um documento oficial afirmando que não possui registros da abertura ou encerramento de uma investigação que teria como alvo o secretário de Articulação Política e Social do Recife, Gustavo Queiroz Monteiro, e seu irmão, Eduardo Monteiro, assessor da prefeitura. O ofício, assinado pelo delegado-geral Felipe Monteiro Costa, foi enviado na quinta-feira (5) para a defesa dos funcionários, atendendo a solicitações do escritório Lacerda e Trindade Advogados Associados.
Detalhes do documento oficial
O documento detalha que:
- A denúncia anônima sobre recebimento de propina foi feita por meio de envelope, "sem protocolo anterior em sistemas eletrônicos da Polícia Civil".
- Não há "registro de Boletim de Ocorrência relacionado aos fatos citados".
- Não houve "ato de designação específico" de policiais e delegados para as investigações.
- Não existe instauração de Verificação Preliminar de Informação (VPI) ou geração de processos no Sistema Eletrônico de Informações (SEI).
- Não foram encontrados ofícios de comunicação à Justiça, "dada a natureza das técnicas empregadas, as quais independem de autorização judicial".
- Cópias de autos de procedimento investigativo criminal ou administrativo não foram fornecidas porque "eles não existem".
Contexto da investigação preliminar
Segundo o secretário de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro Carvalho, a investigação ocorreu entre agosto e outubro de 2025 após uma denúncia anônima. Ela envolveu a instalação de um rastreador no carro da prefeitura utilizado pelos irmãos Monteiro. Carvalho afirmou, em coletiva de imprensa no dia 26 de janeiro, que o foco era o veículo supostamente usado para recebimento de propina, negando espionagem ao secretário.
"A verificação prévia ocorre antes da instauração de inquérito para que uma simples denúncia anônima não cause constrangimento", explicou o secretário, acrescentando que a investigação preliminar foi realizada "sem qualquer tipo de violação de privacidade" e não resultou em inquérito policial, pois não foram constatados atos ilícitos.
Reações e desdobramentos
O prefeito do Recife, João Campos (PSB), reagiu ao ofício em postagens nas redes sociais X e Instagram. "Se havia dúvida para alguém… A própria Polícia Civil admitiu a clandestinidade de uma operação ilegal e com fortes indícios de uso político", declarou o gestor.
Por determinação do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal (PF) assumiu a investigação do caso. Mendes também ordenou o trancamento de outro processo que investigava três secretárias da gestão municipal, citando desvio de finalidade e violação ao princípio da neutralidade estatal.
Denúncia anônima e monitoramento
A denúncia anônima alegava que Eduardo Monteiro receberia pagamentos em dinheiro, em estacionamentos de shoppings, correspondendo a 4% a 5% do faturamento mensal de fornecedores da prefeitura. A Secretaria de Defesa Social confirmou a existência de um grupo no WhatsApp intitulado "Nova Missão", onde agentes trocavam informações sobre a rotina do secretário, incluindo fotos do carro e a colocação de um rastreador.
O g1 procurou o advogado Eduardo Trindade e a Secretaria de Defesa Social para comentários sobre os próximos passos e um posicionamento oficial, mas não obteve respostas até a última atualização desta reportagem.



