Capitão da PM preso com R$ 150 mil recebeu comenda no mesmo dia da detenção
PM preso com R$ 150 mil recebeu comenda no dia da detenção

Capitão da PM preso com R$ 150 mil recebeu comenda no mesmo dia da detenção

O capitão da Polícia Militar, Marcos Holanda Farias, preso em flagrante pela Polícia Federal com R$ 150 mil em espécie, foi agraciado com a comenda "Orgulho de Roraima" no mesmo dia em que foi detido. A homenagem concedida pela Assembleia Legislativa de Roraima consta no Diário Oficial da Casa publicado em 8 de janeiro de 2026, data exata da operação policial que resultou na prisão do militar.

Controvérsia na concessão da honraria

Em nota enviada ao g1, a Assembleia Legislativa afirmou que o projeto de decreto legislativo foi protocolado anteriormente, em 4 de novembro de 2025. Segundo o Legislativo estadual, houve um pedido de arquivamento da proposta no dia 1º de janeiro de 2026, uma semana antes da publicação no Diário Oficial. No entanto, a Casa não explicou o motivo de ter publicado a concessão mesmo após o suposto arquivamento.

A Comenda "Orgulho de Roraima" é uma das maiores honrarias do legislativo estadual, destinada a pessoas que prestaram serviços relevantes ao estado. O g1 também entrou em contato com a Câmara Municipal de Boa Vista, com o vereador Genilson Costa, e com a defesa de Marcos Holanda Farias, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem.

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Homenagem anterior da Câmara Municipal

Em fevereiro de 2025, o capitão já havia sido homenageado pela Câmara Municipal de Boa Vista com a Medalha de Honra ao Mérito Rio Branco. O projeto foi de autoria do vereador e presidente da Casa, Genilson Costa. Na justificativa para a entrega da medalha, o documento descreve o policial como um "bravo guerreiro" e cita seu "exímio desempenho" e comprometimento com a corporação.

O texto aprovado pelos vereadores destaca o currículo operacional de Marcos Holanda, que inclui cursos policiais de elite. A homenagem reforça o perfil do militar antes da investigação que culminou em sua prisão.

Detalhes da operação policial

O capitão Marcos Holanda Farias, de 43 anos, foi preso na tarde do dia 8 de janeiro, junto com o empresário Clovis Braz Pedra, de 64 anos, e a assistente Ana Clara Araújo Cruz de Oliveira, de 25. O trio foi abordado pela Polícia Federal logo após realizar o saque de R$ 150 mil em uma agência bancária no Centro de Boa Vista.

Segundo a investigação, há suspeita de que o valor tenha origem em um esquema de corrupção envolvendo desvio de dinheiro de contratos públicos. Além do montante em dinheiro, a PF apreendeu:

  • Um rifle
  • Uma pistola
  • Munições
  • Um carro
  • Três celulares
  • Anotações

Os três foram autuados em flagrante por lavagem de dinheiro e associação criminosa. Na audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em flagrante deles em preventiva.

Contexto institucional e investigações

Na época da prisão, o capitão Marcos Holanda estava lotado na Casa Militar do Palácio do Governo, unidade responsável pela segurança direta do governador do estado e autoridades. O empresário preso na mesma ação, Clovis Braz Pedra, é dono da construtora C B Pedra Serviços e Construções Ltda, conhecida como Rodoplacas, que possui contratos de serviços de engenharia.

Em nota enviada ao g1 na ocasião da prisão, a Polícia Militar de Roraima informou que a Corregedoria-Geral da corporação acompanha o caso e que "adota as providências administrativas cabíveis", ressaltando que a investigação criminal é de competência federal. O caso continua sob análise das autoridades, enquanto as homenagens concedidas ao militar geram questionamentos sobre os critérios de concessão de honrarias públicas.

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