Países do Golfo denunciam na ONU 'ameaça existencial' de ataques iranianos
Os Estados do Golfo Pérsico apresentaram um alerta grave ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas nesta quarta-feira, 25 de março de 2026, afirmando enfrentar uma ameaça existencial devido aos ataques iranianos contra sua infraestrutura crítica. A declaração ocorre em meio ao conflito em curso no Oriente Médio, que tem escalado rapidamente nas últimas semanas.
Pedido formal de condenação e reparações
Os países membros do Conselho de Cooperação do Golfo, juntamente com a Jordânia, fizeram um apelo conjunto para que a ONU condene formalmente os ataques realizados pelo Irã na região. As nações exigem a interrupção imediata das ações militares e o pagamento de reparações às vítimas afetadas pelos bombardeios.
"Estamos testemunhando uma ameaça existencial à segurança internacional e regional. Esta abordagem agressiva está minando sistematicamente a lei e a soberania internacionais", declarou o embaixador do Kuwait, Naser Abdullah H. M. Alhayen, durante a sessão em Genebra.
Acusações de desestabilização internacional
O embaixador dos Emirados Árabes Unidos, Jamal Jama al Musharakh, foi ainda mais enfático em suas críticas, denunciando o que chamou de "tentativa deliberada do Irã de desestabilizar a ordem internacional através de aventuras imprudentes de expansionismo". As declarações refletem a crescente tensão diplomática entre as nações árabes e o governo iraniano.
Os ataques em questão foram uma resposta direta aos bombardeios conjuntos dos Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, que marcaram o início formal do conflito atual. Desde então, Teerã tem lançado mísseis e drones não apenas contra Israel, mas também contra países do Golfo, atingindo especificamente:
- Instalações de energia estratégicas
- Embaixadas dos Estados Unidos na região
- Infraestrutura de transporte marítimo
Impacto devastador na infraestrutura energética
O diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, revelou dados alarmantes sobre os danos causados pelos ataques. Segundo suas informações, pelo menos 40 infraestruturas energéticas em nove países do Oriente Médio estão "gravemente ou muito gravemente danificadas".
Além dos ataques diretos, o Irã também interrompeu o trânsito pelo estratégico Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial por onde, antes da guerra, passava aproximadamente 20% do petróleo mundial. Esta medida tem impactado significativamente o comércio global de energia.
Escalada militar e troca de acusações
Na segunda-feira anterior ao alerta na ONU, Israel lançou uma nova onda de ataques contra o Irã, que por sua vez ameaçou adotar medidas de retaliação contra infraestruturas de energia em todo o Oriente Médio. A imprensa iraniana relatou explosões em Teerã após Israel anunciar uma "onda de ataques" contra a capital.
Simultaneamente, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos interceptaram mísseis e drones iranianos, demonstrando a ampla geografia do conflito. O Irã defendeu seus ataques alegando que mais de 1.500 civis foram mortos por ações militares dos EUA e Israel contra o país até o momento.
"Nós lutamos em nome de todos vocês contra um inimigo que, se não for contido hoje, estará além da contenção amanhã", argumentou o embaixador do Irã na ONU, Ali Bahreini, referindo-se especificamente a Israel.
Chamado por imparcialidade na análise do conflito
A ONG Serviço Internacional de Direitos Humanos emitiu um alerta paralelo durante as discussões, pedindo cautela contra o que chamou de "indignação seletiva". A organização defendeu que a comunidade internacional deve focar igualmente nas violações de direitos humanos provenientes de todos os lados envolvidos no conflito, evitando parcialidades que possam agravar ainda mais a situação.
O cenário descrito pelos diplomatas na ONU pinta um quadro preocupante de escalada militar com consequências regionais e globais significativas, particularmente no que diz respeito à segurança energética e à estabilidade geopolítica no Oriente Médio.



