Operação Zona Cinzenta: PF investiga suspeitas de fraude em investimentos da Previdência do Amapá
A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (6) a Operação Zona Cinzenta, cumprindo quatro mandados de busca e apreensão em Macapá. A ação investiga suspeitas de irregularidades na aplicação de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá (RPPS/AP), com foco em investimentos de aproximadamente R$ 400 milhões em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master.
Investigação e alvos da PF
Entre os alvos da operação está Jocildo Silva Lemos, presidente da Amapá Previdência (Amprev). Também são investigados Jackson Rubens de Oliveira e José Milton Afonso Gonçalves, membros do comitê de investimentos da autarquia. A PF busca esclarecer se houve prejuízo ao patrimônio público e identificar responsáveis pelas decisões que levaram à aplicação dos recursos no Banco Master.
A operação foi autorizada pela 4ª Vara da Justiça Federal e tem como objetivo apurar se as aplicações, consideradas de alto risco, configuram fraude ou má gestão. As investigações continuam em andamento, com a possibilidade de novas medidas conforme o avanço do inquérito.
Contexto do Banco Master e posição da Amprev
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado, após enfrentar uma grave crise de liquidez que o impediu de honrar compromissos com clientes e investidores. A Amprev informou que os investimentos feitos no banco representam 4,7% da carteira total da instituição e foram validados pelo próprio BC.
Em nota, a autarquia afirmou que se sente lesada pelos "maus feitos" do Banco Master e não abre mão de ser ressarcida. A Amprev já ingressou com medidas judiciais, conseguindo o bloqueio de pagamentos ao banco, e espera que os responsáveis sejam punidos. A instituição destacou ainda que, sob a atual administração, seu patrimônio evoluiu 41% de 2023 para 2025, garantindo pagamentos a aposentados e pensionistas até 2059.
Impacto e próximos passos
A investigação da PF levanta questões sobre a gestão de recursos públicos em fundos de previdência, especialmente em operações de alto risco. A Operação Zona Cinzenta reflete a crescente preocupação com a segurança dos investimentos estaduais e a necessidade de transparência nas aplicações financeiras.
Enquanto a Amprev busca recuperar os valores aplicados, a PF trabalha para determinar se houve conduta ilícita por parte dos gestores. O caso pode ter repercussões significativas para a confiança no sistema previdenciário do Amapá e servir de alerta para outras administrações públicas.



