PF indica Rodrigo Bacellar por ligação com Comando Vermelho e aponta patrimônio incompatível
PF indica Bacellar por ligação com CV e patrimônio suspeito

Polícia Federal indica deputado Rodrigo Bacellar por suspeita de vínculos com facção criminosa

A Polícia Federal (PF) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um relatório final no qual indica o deputado estadual Rodrigo Bacellar por suspeita de ligação com o Comando Vermelho (CV). O documento apresenta "elementos de convicção" que demonstram uma clara incompatibilidade entre o patrimônio do parlamentar e seus vencimentos legais como deputado e empresário.

Patrimônio questionado e imóveis de alto padrão

Segundo a investigação, Bacellar, que recebe aproximadamente R$ 25 mil mensais da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), possui bens que não condizem com essa renda. A PF realizou mandados de busca e apreensão em dois apartamentos na Avenida Atlântica, em Copacabana, e em uma mansão em Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro.

Os apartamentos em Copacabana são descritos como de alto padrão, com um deles ocupando um andar inteiro de cerca de 650 m², porta blindada e vista para a Praia do Leme. O outro imóvel, com entradas pela Rua Aires Saldanha e Avenida Atlântica, é caracterizado como "suntuosamente adornado", com mobília, geladeira abastecida com bebidas alcoólicas e espaço para garçom, mas sem sinais de uso permanente. Testemunhas relataram que Bacellar frequentava o local cerca de duas vezes por semana, sempre sozinho e por pouco tempo.

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Mansão em Teresópolis e suspeitas de lavagem de dinheiro

A mansão em Teresópolis, localizada na Estrada Francisco Smolka, possui três andares, elevador, casa de hóspedes, casa de caseiro, academia, área gourmet, piscina, capela e quadra poliesportiva. Durante as buscas, foi encontrada uma adega com dezenas de garrafas de vinho e itens com o rosto do deputado. Bacellar afirmou em agosto de 2023 que adquiriu o imóvel por meio de processo judicial, negando irregularidades.

Além dos imóveis, a PF investiga uma possível sociedade oculta no frigorífico JGPS Comércio de Carnes Ltda., com faturamento estimado em R$ 1 milhão mensal. Os investigadores acreditam que a estrutura poderia ser utilizada como vetor de lavagem de dinheiro. A PF também analisa se os R$ 91,5 mil apreendidos com Bacellar durante sua prisão, em dezembro do ano passado, têm origem criminosa.

Indiciamento e operação policial

Nesta sexta-feira (27), Rodrigo Bacellar, o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, e mais três pessoas – Flávia Júdice Neto, Jéssica Oliveira Santos e Tharcio Nascimento Salgado – foram indiciados pela PF sob suspeita de vazar informações sigilosas para integrantes do Comando Vermelho. O desembargador Macário Judice Neto, preso durante as investigações, não foi indiciado devido às regras da Lei Orgânica da Magistratura.

Bacellar, licenciado da presidência da Alerj, foi preso em 3 de dezembro na Operação Unha e Carne, suspeito de vazar dados da Operação Zargun, que prendeu TH Joias em setembro por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. Em 9 de dezembro, Bacellar deixou a prisão após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que substituiu a detenção por medidas cautelares.

Defesa dos acusados

A defesa de TH Joias negou qualquer participação em vazamentos de informação ou ligação com organizações criminosas. O advogado Rafael Faria afirmou que a relação entre TH Joias e Bacellar era "urbana" e restrita ao parlamento, e que seu cliente não teve contato com o desembargador Macário ou outros envolvidos no inquérito.

A investigação continua, com a PF analisando as evidências coletadas para determinar a extensão das supostas irregularidades financeiras e conexões criminosas.

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