PF cumpre mandado contra suspeito de vazar dados de ministros do STF e familiares
PF cumpre mandado contra suspeito de vazar dados do STF

Polícia Federal intensifica investigação sobre vazamento de dados sigilosos do STF

A Polícia Federal cumpriu, nesta quarta-feira (25), um mandado de busca e apreensão e determinou a instalação de tornozeleira eletrônica contra mais um suspeito de participar do vazamento de dados de integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares. A medida foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news, aberto em 2019, no qual a apuração sobre os vazamentos foi incluída.

Investigação ampliada com novo alvo no Rio de Janeiro

O mandado foi executado em relação a uma pessoa do Rio de Janeiro, elevando para pelo menos seis o número de alvos na investigação. Na última quinta-feira (19), Moraes havia ordenado que a PF tomasse medidas similares contra um vigilante que trabalhava na Receita Federal, cujo nome não foi divulgado. A determinação sobre o vigilante foi tomada no contexto das suspeitas de vazamentos, embora os atos específicos sob investigação permaneçam sigilosos.

Operação anterior contra quatro suspeitos de acessar dados de ministros

No dia 17, a PF deflagrou uma operação contra quatro indivíduos acusados de acessar dados de ministros do STF. Entre eles estava Luiz Antônio Martins Nunes, servidor do Serpro cedido ao Fisco, suspeito de acessar irregularmente sistemas fiscais e repassar dados sigilosos de autoridades e familiares. Os outros alvos foram os técnicos Luciano Pery Santos Nascimento e Ruth Machado dos Santos, além do auditor Ricardo Mansano de Moraes.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O STF emitiu uma nota na ocasião, afirmando que houve "bloco de acessos cuja análise, pelas áreas responsáveis, não identificou justificativa funcional". A reportagem tentou contatar todos os suspeitos na semana da operação, mas não conseguiu localizar Nunes e Nascimento.

Depoimentos e defesas dos envolvidos

Ruth Machado dos Santos, agente administrativa, é suspeita de acessar dados fiscais de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF. Em depoimento à PF, ela alegou estar em um atendimento presencial no momento dos acessos. Ricardo Mansano de Moraes, suspeito de acessar dados de uma ex-enteada do ministro Gilmar Mendes, foi retirado de seu cargo na chefia de Gestão do Crédito Tributário em Presidente Prudente (SP).

Sua defesa afirmou que ele é um "profissional de reputação ilibada" e que os fatos "serão devidamente esclarecidos e a verdade prevalecerá", ressaltando que não teve acesso integral às acusações e elementos de investigação.

Contexto da crise institucional e escândalo do Banco Master

O rastreamento de possíveis quebras de sigilo ocorre no contexto da crise institucional entre os Poderes e órgãos públicos, provocada pela quebra e liquidação do Banco Master. A família do ministro entrou em foco após revelações de que o banco contratou o escritório de advocacia da mulher de Moraes por 36 meses, com pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões a partir de 2024.

Investigações sobre o escândalo financeiro do banco de Daniel Vorcaro geraram desconfiança e suspeitas de vazamentos de informações protegidas por sigilo bancário e fiscal. A solicitação de Moraes para apurar eventuais quebras de sigilo foi feita no âmbito do inquérito das fake news, que também investigou ataques de bolsonaristas aos integrantes do Supremo.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar