Uma quadrilha que movimentou R$ 3 milhões em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, foi alvo de uma operação realizada pelo Grupo de Atuação Especializado de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de Pernambuco (Gaeco/MPPE). A segunda fase da Operação Eneida, ocorrida na quinta-feira (21), teve como objetivo desmantelar uma rede de narcotráfico e lavagem de capitais que atuava entre São Paulo e o Agreste pernambucano.
Resultados da operação
Segundo o MPPE, dois investigados foram presos temporariamente em Pernambuco e São Paulo. Foram apreendidos dispositivos eletrônicos, uma arma de fogo de uso restrito, milhares de reais em espécie e mais de 5 kg de droga, analisada preliminarmente como cocaína, cujo valor estimado ultrapassa R$ 200 mil. O grupo criminoso é investigado pelas práticas de organização criminosa, tráfico de drogas, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e posse ilegal de arma de fogo de uso restrito. A soma das penas pode chegar a 50 anos de reclusão.
Movimentação financeira e métodos
Com base nas investigações, em um ano a organização criminosa movimentou mais de R$ 3 milhões, estabelecendo um sistema de abastecimento de drogas em Caruaru e regiões próximas. “O grupo usava identidades falsas para abrir contas bancárias e esconder antecedentes criminais, permitindo que o dinheiro circulasse rapidamente e ocultasse a origem dos ativos”, destacou o MPPE. De acordo com o órgão, a operação contou com o apoio do Gaeco de São Paulo e das polícias Civil e Militar de Pernambuco e São Paulo. Um dos pontos que chamou a atenção foi a incompatibilidade entre o alto padrão de vida dos investigados e a ausência de rendimentos lícitos.
Primeira fase da Operação Eneida
A primeira etapa da operação foi realizada em dezembro de 2025 e desarticulou uma organização criminosa especializada no tráfico de drogas e no comércio ilegal de armas de fogo em Pernambuco e no Piauí. O grupo recebia informações sigilosas através de vazamentos de dados da polícia. Nenhum dos policiais teve o nome divulgado. Um foi apontado como responsável por vazar informações sigilosas e alertar chefes do tráfico da região, enquanto outro fornecia armamento para a organização criminosa.
Foram cumpridos 23 mandados judiciais, sendo 11 de prisão temporária e 12 de busca e apreensão nos dois estados. O grupo tinha atividades nas cidades de Caruaru e Bezerros, em Pernambuco, e Teresina, no Piauí. Segundo o promotor de Justiça do MPPE, Eduardo Aquino, dois policiais militares foram alvo da operação. Um dos militares tentou fugir em uma viatura que o conduzia para o Recife. Durante a tentativa de fuga, os agentes que estavam fazendo o transporte dispararam contra o veículo e o acertaram. Devido à gravidade dos ferimentos, o preso não resistiu.



