Mecias de Jesus deixa Senado após 33 anos na política para assumir cargo vitalício no TCE-RR
Mecias de Jesus deixa Senado por cargo vitalício no TCE-RR

Mecias de Jesus encerra 33 anos na política para assumir cargo vitalício no TCE-RR

O senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR) renunciou ao mandato após uma trajetória de exatos 33 anos ininterruptos como parlamentar em Roraima. Ele deve assumir em 16 de março a vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RR), um cargo vitalício onde será responsável por fiscalizar o uso de recursos públicos no estado.

Trajetória política e condenação

Aprovado para o cargo em 21 de agosto de 2025, Mecias ocupará a vaga deixada por Manoel Dantas, que se aposentou em junho do ano passado. Sua suplente, Roberta Acioly (Republicanos), assumiu o lugar no Senado. Mecias é um dos principais apoiadores do governador Antonio Denarium (PP) e um dos nomes mais influentes da política local, mas também foi condenado por enriquecimento ilícito no Escândalo dos Gafanhotos – o maior esquema de corrupção da história de Roraima.

Carreira política detalhada

Na carreira política, Mecias percorreu todos os níveis:

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  • Vereador de São João da Baliza (1993-1994), município ao Sul de Roraima com pouco mais de 8 mil moradores.
  • Deputado estadual por 24 anos (1994-2018), sendo presidente da Assembleia Legislativa de Roraima (Ale-RR) por oito anos.
  • Senador desde 2019, após derrotar Romero Jucá por 434 votos.

Durante seu mandato na Ale-RR, defendeu pautas como o agro, o conservadorismo e a interiorização de políticas públicas. Entre suas iniciativas mais conhecidas está um projeto que proibia o ensino do conceito de “ideologia de gênero” nas escolas públicas e privadas do estado.

Controvérsias e apoio a Bolsonaro

Mecias de Jesus é pai do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus e um dos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado e preso por liderar uma tentativa de golpe de Estado. Em dezembro de 2025, defendeu a anistia aos presos pelos atos de 8 de janeiro de 2023, argumentando que o país precisava "avançar para um cenário de pacificação".

Em abril de 2024, a Polícia Federal apreendeu R$ 50 mil em espécie no carro do senador, em Alto Alegre, durante uma operação após denúncia de compra de votos. Mecias negou irregularidade e disse que o dinheiro não tinha relação com compra de votos.

Incidentes e projetos polêmicos

Em setembro de 2012, Mecias jogou um microfone do plenário contra o então deputado estadual George Melo (PSDC), que sofreu ferimentos na mão e levou três pontos no polegar. A confusão começou quando Melo leu uma liminar da Justiça Federal determinando o bloqueio de bens de Mecias e familiares no valor de R$ 1,9 milhão.

Como senador, uma de suas maiores polêmicas foi a PEC 36, que permitiria atividades produtivas em terras indígenas, gerando forte reação de organizações indígenas e ambientalistas. Após protestos e bloqueios de rodovias em Roraima, ele retirou a proposta de tramitação.

Despedida e legado

No discurso de despedida, Mecias anunciou que deixará a vida política para se tornar conselheiro do TCE-RR. "Em razão da nova missão que passarei a exercer, apresentei minha desfiliação do Republicanos, e deixo a vice-presidência nacional do partido. Levo comigo a gratidão por uma história construída com muito trabalho desde a minha eleição ao senado em 2018", disse o agora ex-senador.

Ele destacou ações do mandato como a inclusão de servidores do ex-território na folha de pagamento da União e a interligação de Roraima ao sistema elétrico nacional, além de criticar o "descaso" do governo federal com a crise migratória venezuelana no estado.

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