Juíza de Brasília aponta esquema suspeito na compra de ações do BRB por 'ecossistema Master'
Juíza aponta esquema suspeito na compra de ações do BRB

Juíza de Brasília revela esquema suspeito na aquisição de ações do Banco de Brasília

A magistrada Vanessa Maria Trevisan, titular da 13ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), expôs de forma contundente as manobras questionáveis utilizadas pelo proprietário do Master, Daniel Vorcaro, e pelo chamado 'ecossistema Master' — termo cunhado pela própria juíza para designar indivíduos e fundos associados a ele — na compra de ações do Banco de Brasília (BRB).

Estratégia de compra pulverizada para dificultar rastreamento

Conforme revelado pelo Jornal Nacional e por blog especializado no dia 3 de fevereiro, Vorcaro, juntamente com o ex-sócio do Master, Maurício Quadrado, e o fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, adquiriram participações no BRB como pessoas físicas, tornando-se acionistas significativos. A juíza destacou que essa aquisição foi realizada através de uma compra pulverizada de ações, estratégia que fragmenta a operação entre múltiplos CPFs, CNPJs e fundos distintos.

'Essas operações permitiram que os próprios agentes investigados por participação no denominado ecossistema Master passassem a integrar o capital social do autor, por meio de estruturas pulverizadas e fundos de investimentos, com a utilização de interpostas pessoas, com o objetivo de dificultar sua rastreabilidade pelos agentes reguladores', afirmou a magistrada em sua decisão judicial.

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Crescimento exponencial da participação acionária após escândalo

Ao determinar o bloqueio da venda dessas ações, a juíza constatou um aumento vertiginoso na participação do grupo no capital social do BRB entre 2024 e o final de 2025, período subsequente ao escândalo do Master. Os números são alarmantes: a fatia pulou de 0,0007% para impressionantes 23,5%.

'No início do ano de 2024, aproximadamente 0,0007% do seu capital social estava sob a titularidade de acionistas com vínculos societários, financeiros ou pessoais com indivíduos ou entidades mencionadas nas investigações relacionadas ao ecossistema Master. Em 2025, após as operações noticiadas, constatou-se que essa participação atingiu 23,5% do seu capital social, o que aponta indícios acerca da coordenação de esforços para o alcance de tal desiderato', registrou a decisão judicial.

Contexto das investigações e novo inquérito da Polícia Federal

O caso ganha contornos ainda mais complexos com a abertura de um novo inquérito pela Polícia Federal, que agora foca na atuação de gestores do BRB. Paralelamente, investigações anteriores já apuravam se Daniel Vorcaro teria financiado ataques de influenciadores digitais contra o Banco Central.

A estratégia de pulverização de aquisições, conforme apontado pela juíza Vanessa Trevisan, representa uma tentativa deliberada de obscurecer o rastreamento das movimentações financeiras, dificultando a fiscalização por parte dos órgãos reguladores. A magistrada foi enfática ao caracterizar essas manobras como suspeitas e coordenadas, evidenciando uma articulação cuidadosa para ampliar a influência do grupo sobre uma instituição financeira pública de relevância regional.

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