Ex-presidente do Rioprevidência é detido pela Polícia Federal em operação de grande porte
A Polícia Federal (PF) efetuou, nesta terça-feira (3 de fevereiro de 2026), a prisão do ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes. A ação faz parte da segunda fase da Operação Barco de Papel, uma investigação de alcance nacional que apura crimes graves contra o sistema financeiro brasileiro, com foco na gestão de recursos do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro.
Detalhes da prisão e localização do preso
A prisão de Antunes ocorreu no município de Itatiaia, no Rio de Janeiro, com o apoio estratégico da Delegacia Especial da PF no Aeroporto Internacional de Guarulhos (DEAIN) e da Polícia Rodoviária Federal. Após a detenção, ele foi conduzido à Delegacia de Polícia Federal em Volta Redonda. Posteriormente, será encaminhado à Superintendência da PF no Rio de Janeiro para prestar depoimento e, seguindo os trâmites legais de polícia judiciária, será inserido no sistema prisional estadual, onde ficará à disposição da Justiça.
Contexto da operação e investigações em andamento
A Operação Barco de Papel investiga supostas irregularidades na aquisição de letras financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição que foi recentemente liquidada pelo Banco Central. De acordo com as apurações da PF, entre novembro de 2023 e julho de 2024, a RioPrevidência teria investido aproximadamente R$ 970 milhões nesse banco, levantando suspeitas de desvios e má gestão.
Além da prisão de Antunes, a PF expediu outros dois mandados de prisão temporária, mas esses não foram cumpridos, pois os indivíduos estão foragidos. Os mandados foram executados em endereços vinculados aos investigados no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, demonstrando a abrangência interestadual da operação.
Fundamentação legal e riscos identificados
As prisões foram determinadas pelo Juízo da 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, que identificou um risco concreto de destruição de provas e obstrução das investigações caso os envolvidos permanecessem em liberdade. A decisão judicial se baseou em indícios robustos de:
- Obstrução ativa das investigações em curso.
- Ocultação deliberada de provas materiais e digitais.
- Movimentações suspeitas pós-operação anterior.
Após uma operação de busca e apreensão realizada no apartamento de Antunes em 23 de janeiro, a PF detectou atividades alarmantes, incluindo a retirada clandestina de documentos do local, manipulação de evidências digitais e a transferência suspeita de dois veículos de luxo para terceiros.
Antecedentes e renúncia do ex-presidente
Vale ressaltar que Deivis Marcon Antunes renunciou ao cargo de presidente do Rioprevidência no final de janeiro, pouco antes de se tornar alvo da operação de busca e apreensão em sua residência. Esse timing sugere uma tentativa de evitar o escrutínio das autoridades, mas as investigações avançaram rapidamente, culminando na prisão preventiva.
A Operação Barco de Papel continua em andamento, com a PF dedicando esforços para localizar os foragidos e aprofundar as análises sobre as transações financeiras irregulares. O caso evidencia a atuação firme das instituições de controle no combate à corrupção e aos crimes econômicos de grande monta, reforçando a importância da transparência na gestão de fundos públicos.



