Ex-presidente do Rioprevidência é preso em operação da Polícia Federal
Nesta terça-feira (3), a Polícia Federal (PF) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) prenderam Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores do estado do Rio de Janeiro. A detenção ocorreu em Itatiaia, no Sul do Rio de Janeiro, após ele retornar dos Estados Unidos e desembarcar no Aeroporto de Guarulhos, onde alugou um veículo para seguir ao Rio.
Dois alvos da operação seguem foragidos
Enquanto Deivis foi capturado, dois outros alvos da mesma operação, denominada Barco de Papel, permanecem foragidos. Eles não foram localizados durante o cumprimento de mandados de prisão temporária em Itapema, no Litoral Norte de Santa Catarina. Os nomes desses indivíduos não foram divulgados pelas autoridades.
Os mandados de prisão e busca e apreensão foram decretados pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, com base em indícios de obstrução de investigações e ocultação de provas. Deivis foi encaminhado à delegacia da PF em Volta Redonda e será levado ao Rio de Janeiro para procedimentos legais.
Investigações apontam desvios de quase R$ 1 bilhão
As investigações da PF se concentram em suspeitas de gestão fraudulenta, desvio de dinheiro e corrupção no Rioprevidência. Deivis comandou o fundo até 23 de janeiro, quando renunciou após uma operação policial. Durante sua gestão e de outros dois ex-diretores, o fundo investiu quase R$ 1 bilhão em letras financeiras do Banco Master, títulos de alto risco sem cobertura do fundo garantidor de crédito.
Nove aplicações no Banco Master entre 2023 e 2024 colocaram em risco o dinheiro das aposentadorias e pensões de 235 mil servidores públicos do estado do Rio. O Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ) já havia alertado para possível gestão irresponsável e, em outubro de 2025, proibiu novos investimentos do Rioprevidência em títulos administrados pelo banco.
Primeira fase da operação revelou movimentações suspeitas
Na primeira fase da Operação Barco de Papel, em 23 de janeiro, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão no apartamento de Deivis e identificou atividades suspeitas, incluindo:
- Retirada de documentos do imóvel
- Manipulação de provas digitais
- Transferência de bens, como dois veículos de luxo, para terceiros
Essas ações reforçam as acusações de obstrução à justiça e destacam a gravidade do caso, que envolve recursos públicos essenciais para milhares de servidores.



