Ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus é presa em operação contra núcleo político do Comando Vermelho
Ex-chefe de gabinete de prefeito presa em operação contra CV

Ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus é presa em operação contra núcleo político do Comando Vermelho

A Operação Erga Omnes, desencadeada pela Polícia Civil do Amazonas, resultou na prisão de Anabela Cardoso Freitas, policial civil e ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante). A ação, que mira o suposto "núcleo político" do Comando Vermelho no estado, foi alvo de duras críticas do prefeito durante coletiva de pré-candidatura ao Governo do Amazonas, realizada nesta segunda-feira (23).

Críticas do prefeito e defesa da ex-assessora

David Almeida questionou publicamente os resultados da operação, afirmando: "Que operação é essa que não prendeu um traficante, não apreendeu um carro, um quilo de droga?! Essa operação é tão autêntica quanto uma nota de 300". O prefeito declarou que a ação teria como objetivo manchar sua imagem política e garantiu que provará sua inocência, ressaltando que não é alvo nem investigado na operação.

Sobre Anabela Freitas, Almeida foi enfático: "Ela é da minha confiança e vai continuar trabalhando comigo", afirmando sua inocência e se comprometendo a ajudar a custear sua defesa, se necessário. A investigação, no entanto, aponta que a ex-chefe de gabinete teria movimentado cerca de R$ 1,5 milhão em favor da facção criminosa através de empresas de fachada.

Esquema milionário e prisões em série

Segundo as investigações, a organização criminosa movimentou aproximadamente R$ 70 milhões desde 2018, atuando em conjunto com traficantes do Amazonas e de outros estados. O esquema utilizava empresas de fachada nos setores de transporte e logística para comprar drogas na Colômbia e distribuí-las a partir de Manaus para outras unidades da federação.

Na sexta-feira (20), foram cumpridos 14 mandados de prisão, sendo oito no Amazonas. Entre os presos estão:

  • Anabela Cardoso Freitas - investigadora da Polícia Civil e ex-chefe de gabinete do prefeito
  • Izaldir Moreno Barros - servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas
  • Adriana Almeida Lima - ex-secretária de gabinete na Assembleia Legislativa
  • Osimar Vieira Nascimento - policial militar
  • Quatro outros suspeitos com diferentes envolvimentos no esquema

Posicionamento das instituições e defesa

O Tribunal de Justiça do Amazonas informou que já adotou medidas administrativas em relação ao servidor citado na operação, reafirmando compromisso com legalidade e transparência. A Polícia Militar do Amazonas destacou que o cabo preso responderá a procedimentos judiciais e administrativos, enquanto a Prefeitura de Manaus esclareceu que não é alvo da operação.

A defesa de Anabela Freitas classificou a prisão como precipitada e baseada em acusações equivocadas. O advogado negou qualquer envolvimento da cliente com os investigados, afirmou que ela não conhece o suposto líder da organização e que os valores citados são compatíveis com sua renda como servidora pública e viúva de ex-deputado.

Próximos passos e acusações

Anabela Freitas permanece presa em carceragem da Polícia Civil no 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), conforme prevê o Estatuto do Policial Civil do Amazonas. Os investigados devem responder por:

  1. Organização criminosa
  2. Associação para o tráfico de drogas
  3. Corrupção ativa e passiva
  4. Lavagem de dinheiro
  5. Violação de sigilo funcional
  6. Ocultação de patrimônio

A operação continua em andamento, com a polícia buscando nove suspeitos que permanecem foragidos, enquanto as instituições públicas envolvidas reforçam seus compromissos com a ética e a legalidade no serviço público.