Governo do DF busca usar imóveis públicos para salvar BRB no caso Master
DF quer imóveis públicos como garantia para salvar BRB

Governo do Distrito Federal propõe uso de imóveis públicos para resgatar BRB em meio ao caso Master

Em uma medida emergencial para tentar salvar o Banco de Brasília (BRB), o governo do Distrito Federal (GDF) encaminhou um projeto de lei à Câmara Legislativa solicitando autorização para utilizar imóveis públicos como garantia em empréstimos. A iniciativa visa reforçar o capital do banco, que enfrenta uma grave crise financeira após um prejuízo de pelo menos R$ 5 bilhões na compra de carteiras de crédito do Banco Master, envolvido em indícios de fraude e liquidado pelo Banco Central em 2025.

Detalhes da proposta e resistência política

A proposta do GDF prevê o uso de 12 imóveis públicos, incluindo o Centro Administrativo do governo do DF, um local desocupado há 12 anos. Em dezembro de 2025, o governador Ibaneis Rocha estimou que seriam necessários R$ 1 bilhão em investimentos para tornar o espaço funcional. No entanto, o projeto enfrenta resistência até de aliados no legislativo distrital, com deputados sinalizando que apenas discutirão o texto, sem previsão de votação imediata.

Em nota, o BRB afirmou que os imóveis ainda passarão por avaliação técnica independente, e que não é possível estimar seu valor total neste estágio, pois a precificação depende das condições de mercado. O uso de bens públicos como garantia requer aprovação legislativa, e a expectativa inicial do GDF de aprovar o projeto ainda esta semana foi frustrada.

Contexto do caso Master e investigações em curso

O BRB, uma sociedade de economia mista com o governo do Distrito Federal como acionista majoritário, é investigado no caso Master, uma das frentes de apuração no Supremo Tribunal Federal (STF). Diante do prejuízo, o Banco Central exigiu que o banco apresentasse ações para fortalecer seu capital, levando a medidas como corte de custos, não abertura de novas agências e redução de alcance.

Nesta segunda-feira (23), os delegados da Polícia Federal envolvidos no caso Master realizaram uma segunda reunião com o ministro André Mendonça, novo relator do processo no STF. O encontro, que foi longo, também abordou a investigação da PF sobre influenciadores digitais envolvidos em ataques ao Banco Central.

Impactos e próximos passos

A situação do BRB reflete os desafios financeiros e regulatórios no setor bancário, com o Banco Central mantendo reuniões semanais com a diretoria do banco para monitorar a recuperação. A liquidação do Banco Master, junto com outros instituições, pode resultar em um rombo estimado de R$ 51,8 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), ampliando as preocupações sobre a estabilidade do sistema.

Enquanto isso, o GDF busca alternativas para evitar um colapso do BRB, mas a aprovação do projeto de lei permanece incerta, com debates legislativos e avaliações técnicas ainda pendentes. O caso continua a atrair atenção nacional, destacando as interseções entre política, economia e justiça no cenário brasileiro.