Deputado investigado por corrupção solicita a ministro de Lula liberação de avião de Wesley Safadão na Anac
Mensagens enviadas pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF) revelaram como o deputado Junior Mano, investigado por liderar um extenso esquema de corrupção na política do Ceará, utilizou acessos privilegiados ao governo Lula para contornar a burocracia estatal em Brasília. Em 2024, durante a campanha eleitoral que elegeu dezenas de prefeitos ligados ao grupo criminoso, por meio de compra de votos e caixa dois, Junior Mano entrou em contato com o ministro dos Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, solicitando a liberação de processos na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que impediam a operação de aeronaves do cantor Wesley Safadão.
Pedido via WhatsApp para uso em campanha eleitoral
Parceiro de negócios e amigo da família do cantor, que controlava politicamente a Prefeitura de Araçoiaba (CE), Junior Mano desejava utilizar um dos aviões para realizar campanha eleitoral em favor de prefeitos associados ao esquema no estado. A Polícia Federal registrou em seus documentos: "Ao que tudo indica a proximidade entre o deputado Junior Mano e Wesley, leva o parlamentar a entrar em contato com o ministro Silvio Costa Filho, do Ministério de Portos e Aeroportos, solicitando a liberação de aeronave de Safadão, tendo em vista que precisa urgente daquele meio de transporte. O parlamentar indica que usará tal aeronave na campanha".
Em mensagens trocadas por WhatsApp, Junior Mano escreveu ao ministro de Lula: "Bom dia, meu ministro querido. Tudo na santa paz? — Passando 2 pedidos pra você do mesmo assunto: liberação de 2 aeronaves do Wesley Safadão (o vendedor só libera com essa autorização) da Anac. — Precisando urgente, porque vou andar nesse menor nas campanhas. Não aguento mais carro… rsrs — Precisamos que a comunicação de venda seja finalizada. A documentação já está toda protocolada. E o processo está em andamento. Precisa falar na Anac (rab) para realizar a conclusão do processo".
Possível efeito do pedido e investigações em andamento
A Polícia Federal não apontou uma conduta imediata do ministro de Lula em relação ao caso, mas registrou, com evidências visuais, que Junior Mano passou a utilizar o avião do cantor após o pedido. Segundo a PF, a solicitação para que o ministro acionasse a agência subordinada ao seu ministério "possivelmente" teria surtido efeito, facilitando o uso da aeronave para fins eleitorais. As investigações continuam em andamento, com foco nas conexões entre o deputado, o cantor e as práticas de corrupção no Ceará.
Este caso destaca as complexas relações entre política, entretenimento e corrupção no Brasil, levantando questões sobre a influência de figuras públicas em processos regulatórios. A situação envolve múltiplas camadas de investigação, incluindo a atuação da Polícia Federal e do STF, que buscam esclarecer os detalhes do esquema e responsabilizar os envolvidos.



