Deputada rasga pacto contra feminicídio no Ceará e critica exclusão de igrejas
Deputada rasga pacto contra feminicídio no Ceará

Deputada cearense destrói pacto federal contra feminicídio em protesto político

Em um ato simbólico que gerou forte repercussão, a deputada estadual Dra. Silvana (PL) rasgou publicamente o documento do Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio durante discurso na sessão ordinária desta quinta-feira (5) na Assembleia Legislativa do Ceará. A parlamentar, que é evangélica, justificou o gesto afirmando que o pacto lançado pelo governo federal na quarta-feira (4) ignora completamente o papel das igrejas e das famílias no combate à violência contra mulheres.

Críticas ao governo e defesa de valores conservadores

Durante seu tempo de fala, a deputada Silvana fez duras críticas ao governo do presidente Lula (PT), acusando-o de tentar criar "uma queda de braço entre homens e mulheres" através da iniciativa. "Durante o governo petista, o governo que diz defender as mulheres, o número de feminicídios só aumentou", declarou a parlamentar, referindo-se aos dados recordes de 2025.

A deputada foi enfática ao afirmar: "Enquanto não incluir Deus, a igreja, a família; o governo que luta contra a célula mais preciosa da sociedade, que se chama família, não vai ajudar a combater o feminicídio". Ela ainda argumentou que o Evangelho vem sendo injustamente taxado de machista e que há uma tentativa de associar a fé cristã a comportamentos prejudiciais.

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Contexto do pacto e números alarmantes

O Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio foi lançado oficialmente na quarta-feira (4) em cerimônia que reuniu representantes dos três poderes da República. Apesar do anúncio com diretrizes iniciais, o governo federal ainda não apresentou detalhes práticos sobre a execução das políticas específicas de enfrentamento a este tipo de crime.

Os dados mais recentes do Ministério da Justiça e Segurança Pública revelam um cenário preocupante:

  • Em 2025, o Brasil registrou 1.470 casos de feminicídio entre janeiro e dezembro
  • Este número supera os 1.464 registros de 2024, que já representavam a maior marca histórica até então
  • O Ceará, estado representado pela deputada Silvana, também enfrenta números significativos deste tipo de violência

Perfil da parlamentar e reações ao gesto

Médica de formação e deputada estadual desde 2015, Dra. Silvana é conhecida por suas posições conservadoras e atuação política alinhada a valores religiosos. Ela é esposa do deputado federal Dr. Jaziel (PL-CE), que igualmente defende pautas conservadoras no Congresso Nacional.

Durante seu discurso, a deputada deixou claro seu objetivo com o ato simbólico: "Eu vou rasgar pacto porque eu quero que saia no jornal que quem rasgou o pacto fui eu, a deputada Silvana, uma mulher, líder do PL". Ela reforçou que sua crítica principal se concentra na exclusão das instituições religiosas do documento governamental.

O gesto ocorre em um contexto de intensos debates sobre políticas públicas de combate à violência de gênero e o papel das diferentes instituições sociais nesta luta. Enquanto o governo federal busca implementar medidas através do pacto, vozes como a da deputada cearense questionam a abordagem escolhida e defendem maior participação de entidades religiosas nas estratégias de prevenção.

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