Presidente da CPMI do INSS promete insistir em depoimentos de filho e irmão de Lula
O senador Carlos Viana, presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, reafirmou sua determinação em buscar os depoimentos de Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha, e Frei Chico, respectivamente filho e irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista exclusiva, Viana criticou as tentativas de blindagem por parte da base governista, que têm dificultado as convocações, mas garantiu que as investigações avançam para desvendar as fraudes contra aposentados brasileiros.
Desafios e avanços na investigação
Desde sua eleição para a presidência da CPMI em agosto de 2025, Carlos Viana tem enfrentado embates políticos intensos entre governo e oposição. A comissão já avaliou cerca de 5.000 documentos e solicitou mais de cinquenta quebras de sigilo bancário. No entanto, o senador lamenta as obstruções, como habeas corpus e atestados médios, que impediram a presença de testemunhas-chave, incluindo executivos de grandes bancos e figuras próximas ao poder.
Viana destacou: "Pode não ir à CPMI, mas de maneira nenhuma deixará de dar respostas à Justiça." Ele enfatizou que, mesmo com as dificuldades, a teia criminosa será desvendada pelas investigações da comissão ou da Polícia Federal, assegurando que não haverá impunidade para os envolvidos nas fraudes.
Foco em contratos de consignados e bancos
Na retomada dos trabalhos, a CPMI prioriza a apuração sobre contratos de consignados, um dos eixos centrais do esquema de corrupção. Viana anunciou que os representantes de bancos e instituições intermediárias serão ouvidos para entender a dinâmica promíscua que lesou milhões de aposentados. Ele citou o caso do Banco Master e do BMG, este último com o diretor-geral convocado para depor após o Carnaval.
O senador explicou que a comissão visa criar regras mais rígidas para proteger os beneficiários do INSS, destacando a vulnerabilidade de idosos que dependem desses recursos para necessidades básicas, como aluguel e medicamentos.
Insistência em depoimentos de Lulinha e Frei Chico
Carlos Viana revelou que irá colocar novamente em votação a convocação de Lulinha, cujo nome surgiu em depoimentos à Polícia Federal ligando-o a Antônio Carlos Camilo, o "Careca do INSS", figura central no esquema. "Não sei se o filho do presidente Lula é culpado ou inocente. Seria muito bom que o Lulinha pudesse comparecer à CPMI para nos dizer qual é a relação dele com o Careca do INSS", afirmou.
Quanto a Frei Chico, vice-presidente de um sindicato investigado que movimentou quase 800 milhões de reais, Viana lamentou a blindagem política que impediu seu depoimento. Ele argumentou que, com o presidente do sindicato tendo se calado sob habeas corpus, era crucial ouvir o vice para esclarecer transações suspeitas e descontos irregulares.
Contaminação política em ano eleitoral
Em meio a um cenário eleitoral, Viana admitiu que o governo busca evitar desgastes, enquanto a oposição tenta explorá-los. No entanto, ele se comprometeu a manter o foco na investigação, evitando que provocações políticas desviem a atenção dos crimes reais. O senador citou exemplos de requerimentos irrelevantes, como a convocação de Dilma Rousseff, que apenas servem para tirar o foco das apurações.
Ele também mencionou que pedidos pertinentes, como o do deputado Rogério Correia para convocar o senador Flávio Bolsonaro, serão avaliados com base em sua relevância para o caso, não em motivações eleitorais.
Descobertas importantes e próximos passos
A maior descoberta da CPMI, segundo Viana, foi expor a vulnerabilidade dos aposentados frente a associações e sindicatos, muitos dos quais atuavam de forma fraudulenta. Ele destacou o depoimento do "Careca do INSS" como um momento crucial, revelando a extensão da corrupção nos altos escalões e a organização de um esquema que remonta ao primeiro governo Lula.
Com a comissão prevista para terminar em 28 de março, Viana busca uma prorrogação de sessenta dias para aprofundar as investigações, incluindo a oitiva de mais testemunhas e a consolidação de um relatório robusto. Ele garantiu que informações sobre políticos investigados, como o deputado Euclydes Pettersen e o senador Weverton Rocha, serão incluídas no documento final, permitindo que a população forme seu próprio juízo sobre os fatos.



