CPMI do INSS corre contra o tempo para evitar fracasso absoluto na investigação de R$ 4 bilhões
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) enfrenta um momento crítico em sua investigação sobre o rombo de R$ 4 bilhões contra aposentados e pensionistas. Instalada há sete meses, a comissão patina nas apurações e busca desesperadamente uma prorrogação de prazo para não terminar em fracasso absoluto, deixando diversas suspeitas sem esclarecimento.
Investigação estagnada e personagens não esclarecidos
Desde agosto do ano passado, quando foi instalada para investigar o golpe revelado pela Polícia Federal, a CPMI confirmou que associações e sindicatos fraudavam cadastros, descontavam mensalidades sem autorização de idosos e pagavam propina para autoridades públicas. O esquema era comandado pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. No entanto, essas informações já eram conhecidas antes mesmo da instalação da comissão.
O grande problema é que a CPMI falhou em aprofundar investigações sobre figuras-chave do esquema. Entre os investigados que não tiveram suas suspeitas esclarecidas estão:
- José Ferreira da Silva (Frei Chico): vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi) e irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
- Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha): filho mais velho do presidente da República, com ligações ainda não bem explicadas com o Careca do INSS.
- Paulo Boudens: ex-assessor e braço direito do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que recebeu R$ 3 milhões de empresa ligada ao lobista sem justificar o motivo.
- Weverton Rocha: senador do PDT-MA que recebeu o Careca do INSS em casa e no gabinete, usava jato particular do lobista e tinha afilhados em postos-chave na Previdência.
Prazo se esgota e decisão judicial é crucial
A comissão tem prazo até a próxima terça-feira para concluir seus trabalhos, mas os parlamentares já pediram autorização ao presidente do Congresso para prorrogação por mais alguns meses. Como não foram atendidos, recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde a decisão caberá ao ministro André Mendonça.
"Parece que o STF quer matar essa CPMI de inanição. Cada depoente que o tribunal barra de vir aqui é mais uma oportunidade perdida de investigar a roubalheira do INSS", afirma o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS), que culpa a corte suprema pelo possível fracasso da investigação.
O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), mantém esperança: "É uma questão de necessidade prorrogar a CPMI do INSS. Vejo muitas forças contrárias para a prorrogação, o que por si só mostra a seriedade do trabalho da comissão".
Risco de relatório final não ser aprovado
Além das investigações não aprofundadas sobre personagens importantes, a CPMI também não avançou na prometida apuração das fraudes envolvendo crédito consignado, onde bancos "emprestavam" dinheiro aos aposentados sem autorização. A situação é tão crítica que a comissão corre o risco de sequer ter seu relatório final aprovado.
Os parlamentares também pressionam o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para intervir. A deputada Adriana Ventura revela: "Falei para o senador que é obrigação dele prorrogar o prazo da CPMI, mas infelizmente a perspectiva é pequena".
Com sete meses de trabalho, muita polêmica e poucos resultados concretos, a CPMI do INSS vive seu momento decisivo. A prorrogação pelo STF pode ser a última chance de a comissão evitar um fracasso absoluto que deixaria R$ 4 bilhões em prejuízos aos aposentados sem respostas adequadas e diversos investigados sem esclarecimento de suas suspeitas.



