CPI do INSS aprova quebra de sigilo de filho do presidente Lula em sessão conturbada
A CPI mista do INSS aprovou, nesta quinta-feira (26), a quebra dos sigilos fiscal e bancário de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Lula. A sessão foi marcada por cena de violência entre parlamentares do governo e da oposição, que chegaram a trocar socos e empurrões, resultando em interrupção temporária dos trabalhos.
Votação em bloco e início da polêmica
A reunião começou com a votação simbólica de 87 requerimentos de uma só vez, procedimento conhecido como votação em bloco. Entre os pedidos aprovados estava o de quebra de sigilo de Lulinha, apresentado pelo relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar do União Brasil. Na votação, parlamentares a favor permaneceram sentados, enquanto os contrários ficaram em pé para manifestar seu posicionamento.
Investigações que levaram ao requerimento
O filho do presidente entrou na mira da oposição após a Polícia Federal encontrar mensagens trocadas entre o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, e a empresária Roberta Luchsinger. As conversas continham supostas menções ao "filho do rapaz", que investigadores interpretaram como referência a Lulinha. Em 2025, Roberta foi alvo de operação da PF por suspeita de ter recebido R$ 1,5 milhão do Careca do INSS, quantia que supostamente seria destinada ao familiar do presidente.
É importante destacar que, naquele momento, a PF afirmou em relatório que não havia indícios de envolvimento direto de Lulinha nas fraudes do INSS. No entanto, a PF posteriormente indicou que ele poderia ter atuado como sócio oculto do Careca do INSS, o que motivou pedido de quebra de sigilo já autorizado pelo ministro do STF André Mendonça em janeiro, decisão que permanece sob sigilo judicial.
Confusão durante a contagem de votos
Após a contagem feita pelo presidente da CPI, senador Carlos Viana do Podemos, deputados do PT questionaram o resultado aos gritos. Eles alegaram que 14 parlamentares estavam de pé manifestando voto contrário, número que, segundo os governistas, seria suficiente para derrubar os requerimentos. A discussão rapidamente escalou para conflito físico, com troca de socos e empurrões que exigiu intervenção de seguranças e outros parlamentares para separar a briga.
Alegações de fraude e recurso ao Congresso
Com a sessão interrompida e depois retomada, os governistas pediram a anulação da votação, argumentando que o procedimento simbólico não refletiu com precisão a vontade dos parlamentares. O presidente da CPI não acatou o pedido, afirmando que a votação simbólica está prevista no regimento interno. Diante disso, os parlamentares governistas recorreram ao presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre do União Brasil.
Eles apresentaram fotos da sessão com indicação dos 14 parlamentares que teriam votado contra o requerimento, alegando fraude no processo de votação. A presidência do Senado informou que Alcolumbre vai analisar as imagens em conjunto com a Advocacia do Senado, a Polícia Legislativa e a Secretaria-Geral da mesa, sem prazo definido para decisão.
Contexto político e próximos passos
Este episódio ocorre em meio a intensa polarização política no Congresso Nacional, com a CPI do INSS investigando supostas fraudes no instituto previdenciário. A aprovação da quebra de sigilo de Lulinha, embora já precedida por autorização judicial do STF, ganhou dimensão política significativa devido ao envolvimento familiar do presidente da República.
O desfecho desta votação ainda depende da análise do presidente do Congresso sobre as alegações de irregularidade, enquanto a investigação sobre possíveis ligações do filho do presidente com o esquema do INSS continua em andamento nas esferas policial e parlamentar.



