Governo Trump liberou apenas 1% dos arquivos de Epstein, revela documento
Apenas 1% dos arquivos Epstein foram divulgados

Um documento judicial revelou nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, sob a gestão do presidente Donald Trump, divulgou até o momento apenas 1% dos arquivos relacionados ao caso Jeffrey Epstein. A informação surge em meio a crescentes pressões por transparência total sobre o escândalo de tráfico sexual envolvendo o financista falecido.

Proteção às vítimas ou obstrução à justiça?

Em uma atualização de cinco páginas enviada ao juiz federal Paul Engelmayer, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, justificou o ritmo lento das divulgações. Ela afirmou que a proteção das identidades das vítimas é a principal prioridade, um processo que demanda tempo e recursos significativos.

Bondi detalhou que, até agora, foram liberados 12.285 documentos, somando 125.575 páginas. No entanto, o volume total sob análise é colossal: mais de dois milhões de documentos estão em fases variadas de revisão. Para lidar com essa massa de informação sensível, cerca de 400 advogados do Departamento de Justiça e 100 analistas do FBI estão envolvidos no trabalho.

"Este trabalho exigiu e continuará a exigir recursos substanciais do departamento", escreveu Bondi na carta, assinada conjuntamente com seu adjunto, Todd Blanche, e Jay Clayton, procurador dos EUA para o distrito sul de Nova York.

Acusações de obstrução política

A lentidão no processo, porém, é vista com desconfiança pela oposição democrata. Líderes do Comitê de Supervisão da Câmara acusam o governo Trump de reter documentos e retardar intencionalmente a divulgação. O objetivo, segundo eles, seria proteger o próprio presidente, que teve seu nome citado em várias páginas dos arquivos e aparece em fotos públicas ao lado de Epstein.

"O que eles estão tentando esconder?", questionou Chuck Schumer, líder da minoria no Senado, em uma publicação na rede social X. Schumer acusou o Departamento de Justiça de não entregar ao Congresso uma lista completa de pessoas politicamente expostas mencionadas e de reter documentos principais sobre supostos cúmplices de Epstein.

Em um tom mais incisivo, o democrata destacou: "Já se passaram 17 DIAS desde que o Departamento de Justiça de Trump violou a lei e deixou de divulgar todos os arquivos de Epstein. Já se passaram 14 DIAS desde que o Departamento de Justiça de Trump divulgou qualquer coisa – e o Departamento de Justiça está fazendo tudo ao seu alcance para atrasar e obscurecer as informações".

O histórico e a pressão sobre Trump

A relação entre Donald Trump e Jeffrey Epstein é antiga, remontando aos círculos sociais de elite de Nova York e da Flórida. Em 2002, Trump chegou a elogiar o financista em uma entrevista, chamando-o de "fantástico" e dizendo: "Dizem até que ele gosta de mulheres bonitas tanto quanto eu, e muitas delas são do tipo mais jovem".

Como promessa de campanha, Trump se comprometeu a liberar todos os documentos relacionados ao caso se retornasse à Casa Branca. No entanto, a primeira leva de arquivos divulgada em janeiro foi considerada insatisfatória, contendo majoritariamente informações já conhecidas. A demora alimentou teorias da conspiração dentro de sua base política, a MAGA, sugerindo que o presidente estaria em uma lista secreta de beneficiários do esquema.

A pressão aumentou em setembro, quando democratas da Câmara divulgaram uma suposta carta de aniversário de Trump para Epstein, datada de 2003. O documento, um desenho de uma mulher nua com mensagens insinuantes, foi negado pela equipe de Trump, que alegou ser uma falsificação. No entanto, uma reportagem do The New York Times de 2016 mostrou que a assinatura do republicano mudou ao longo dos anos, e versões antigas são muito similares à apresentada na carta.

O caso Epstein, que envolve acusações de exploração sexual de menores e tráfico sexual, continua a gerar ondas de choque anos após a morte do principal acusado. A Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, sancionada em novembro, busca jogar luz sobre a extensão total da rede, mas o caminho para a divulgação completa parece ainda longo e cheio de obstáculos políticos.