A corregedora-geral do Município de Uberlândia, Ana Cláudia Alvarenga Melo Baron, foi afastada do cargo após denúncias de suposta manipulação de processos e resultados de procedimentos disciplinares. As acusações indicam que ela teria favorecido investigados com possíveis vínculos políticos e retido casos graves, como uma denúncia de abuso sexual que ficou paralisada por cerca de seis meses sem medidas cautelares.
Denúncias e investigação
O afastamento ocorreu após a Prefeitura abrir uma sindicância na última sexta-feira (17), para apurar os fatos e áudios veiculados em redes sociais. Na segunda-feira (20), o afastamento por 60 dias, com manutenção do salário, foi publicado no Diário Oficial do Município. A sindicância e o afastamento foram motivados por um requerimento da Câmara Municipal, apresentado pelo vereador Fabão (PV) em 16 de abril, aprovado e encaminhado ao Executivo.
Denúncia anônima no MPMG
Conforme o requerimento, há uma denúncia anônima registrada no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) em março de 2026, convertida em notícia de fato, apontando graves irregularidades na Corregedoria-Geral. Também há dois registros anteriores na Ouvidoria Geral do Município, um em janeiro de 2025 e outro em dezembro de 2025. As denúncias mencionam um suposto sistema de proteção seletiva de servidores com vínculos políticos, predeterminação de resultados disciplinares, manipulação de processos e retenção injustificada de apurações graves, incluindo o caso de abuso sexual paralisado por seis meses.
Posicionamento da Prefeitura
A Secretaria Municipal de Administração informou que instaurou a Sindicância Administrativa pela Portaria SMA nº 238/2026, publicada no DOM nº 7335 de 17/04/2026. A comissão sindicante recomendou o afastamento preliminar da servidora para garantir a efetividade da instrução processual e evitar interferências. A Prefeitura destacou que a medida segue as políticas de governança e compliance, promovendo transparência e eficiência no serviço público.
O g1 tentou contato com a corregedora pelos telefones da OAB de Uberlândia, mas estavam desligados. Também buscou informações sobre inquérito no MPMG, sem retorno até a última atualização.



