Traficante 'Frajola' é transferido para presídio federal após comandar facção da prisão
Traficante 'Frajola' transferido para presídio federal

Traficante 'Frajola' é transferido para penitenciária federal após comandar facção de dentro da prisão

O traficante Cleuton Gomes Pereira, conhecido como "Frajola" e apontado como chefe da facção criminosa Primeiro Comando de Vitória (PCV), foi transferido para a Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia, nesta segunda-feira (13), por volta das 9h. A unidade é de segurança máxima, e a medida foi solicitada pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), com prazo de até três anos, podendo ser renovada por períodos iguais.

Ordens criminosas emitidas da prisão

Segundo investigações, mesmo estando preso na Penitenciária de Segurança Máxima II de Viana, na Grande Vitória, desde 2017, Frajola continuava ordenando atividades criminosas, como ataques a tiros na região da Grande Terra Vermelha, em Vila Velha. Ele comandava a facção de dentro da prisão por meio de recados levados durante visitas, utilizando bilhetes conhecidos popularmente como "catuques".

Envolvimento de advogados e servidores públicos

No último mês, três advogados e três guardas municipais de Vila Velha foram presos suspeitos de repassar as ordens durante a terceira fase da Operação Telic. Entre os detidos estão o agente municipal Iuri Silva, que foi comandante da Guarda de Vila Velha em 2020, sua esposa, a advogada criminalista Bárbara Bastos, e o advogado de Frajola, Arlis Schmidt. Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em Vila Velha, Cariacica e Serra, com a localização de celulares e bilhetes manuscritos ou ditados por detentos.

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Objetivo das operações e contexto de violência

As operações têm o objetivo de identificar a atuação de integrantes do PCV na região da Grande Terra Vermelha, que enfrenta intensa disputa de território por facções criminosas nos últimos meses, com ataques a tiros e mortes registradas. Entre fevereiro e março, pelo menos dez assassinatos foram registrados na área, que reúne 21 bairros e cerca de 200 mil moradores.

Desvio de drogas e formação de núcleo de inteligência

De acordo com o MPES, as investigações comprovaram vínculos entre investigados, advogados e servidores públicos, caracterizando violação de sigilo funcional e cooperação ilícita. Os agentes municipais estariam envolvidos com o tráfico de entorpecentes, vendendo drogas apreendidas pela polícia e desviando dinheiro e materiais sob sua responsabilidade. Frajola também tinha a intenção de formar um grupo restrito para selecionar e executar integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), rivais no tráfico de drogas.

Reações e próximos passos

O advogado Ricardo Luiz de Oliveira Rocha Filho, que representa Frajola, disse que vai questionar a necessidade de transferência do cliente, avaliando possíveis erros processuais. A Comissão de Prerrogativas da OAB-ES informou que acompanha o caso para assegurar o respeito às prerrogativas da advocacia, enquanto a Prefeitura de Vila Velha afirmou que a Corregedoria da Guarda Municipal está acompanhando e colaborará no que for necessário.

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