Quadrilha que furtava carga de trens em movimento é presa no interior de São Paulo
Uma quadrilha especializada em furtar cargas de trens em movimento foi presa nesta terça-feira (19) no interior de São Paulo. Os criminosos atuavam de forma audaciosa, equilibrando-se sobre os vagões em pleno deslocamento para subtrair mercadorias valiosas.
Modus operandi arriscado e organizado
Os bandidos desenvolviam uma operação meticulosa e perigosa. Enquanto os trens seguiam normalmente, quatro homens se posicionavam no topo dos vagões, aguardando o momento oportuno para o furto. Em flagrantes registrados, os criminosos já haviam ensacado os grãos e, de uma altura considerável, arremessavam a mercadoria para outro grupo que aguardava ao lado da ferrovia para recolher os sacos.
A carga roubada era transportada para galpões clandestinos, como um localizado em Iguaí, no interior paulista. Lá, a mercadoria era armazenada antes de ser comercializada ilegalmente.
Mercadorias visadas e destino final
A quadrilha concentrava seus furtos em soja e açúcar – porém, não o açúcar comum utilizado na alimentação, mas um tipo específico destinado à produção de manta asfáltica. "Muitas vezes, eles vendem isso para um comércio formal com uma nota fiscal adulterada, fingindo que aquele material é bom e foi adquirido de maneira lícita", explicou o delegado Danilo Alexiades.
O destino final da carga, caso não fosse interceptada, era o Porto de Santos, de onde seria exportada para a China. A empresa vítima dos furtos só percebia a subtração quando a mercadoria estava prestes a ser embarcada, já que os trens eram atacados durante o trajeto.
Prejuízo milionário e operação policial
O prejuízo causado pela quadrilha é estimado em impressionantes R$ 13 milhões. A polícia chegou até os ladrões após um alerta da empresa afetada, que registrou perdas significativas. A operação desta terça-feira resultou na prisão de quatro indivíduos e na recuperação de aproximadamente cinco toneladas de açúcar.
Ronaldo Sayeg, diretor do DEIC-SP, destacou a importância das investigações: "Nós conseguimos chegar até o receptador, aquele que compra essa mercadoria sabendo que é subtraída. Falta agora, a partir dessas prisões e apreensões de hoje, chegar em quem comprava, para assim definir se comprava de boa ou de má-fé".
Contexto de ataques ferroviários
Em 2025, a concessionária responsável pelo transporte ferroviário na região do Porto de Santos registrou pelo menos 3 mil ataques, evidenciando a escala do problema. A prisão desta quadrilha representa um golpe significativo contra o crime organizado que explora as vulnerabilidades do sistema de transporte de cargas no estado.
A operação policial continua em andamento, com autoridades buscando identificar e prender todos os envolvidos na cadeia de receptação, desde os executores diretos até os compradores finais da mercadoria roubada.



