Operação policial mira grupo de extermínio ligado à máfia do cigarro no Rio
A Delegacia de Homicídios da Capital deu início, nesta quinta-feira (5), a uma operação de grande porte contra um grupo de matadores associado à máfia do cigarro no estado do Rio de Janeiro. O objetivo principal é a captura de três indivíduos suspeitos de participação direta no assassinato de Fabrício Alves Martins de Oliveira, ocorrido em outubro de 2022.
Suspeitos e mandante são alvos da ação
As autoridades buscam José Ricardo Gomes Simões, Alex de Oliveira Matos e o policial militar Daniel Figueiredo Maia. Eles são acusados de envolvimento na execução que vitimou Fabrício Martins. O apontado como mandante do crime é Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, uma figura notória no meio do bicho e atual patrono da escola de samba Salgueiro.
Adilsinho já possui um mandado de prisão em aberto por esse homicídio e é procurado em outros três processos criminais. Em nota oficial, ele negou qualquer participação nos fatos e expressou confiança na Justiça para provar sua inocência.
Detalhes do crime e estratégia dos assassinos
Fabrício Martins foi executado com 14 tiros de fuzil calibre .762 no dia 2 de outubro de 2022, em um posto de gasolina localizado na Estrada do Mendanha, no bairro de Campo Grande, Zona Oeste do Rio. Os assassinos utilizaram camisas e balaclavas falsas da Polícia Civil como parte de uma estratégia para facilitar a aproximação e a fuga rápida do local.
As investigações revelaram que a vítima vinha sendo monitorada pela organização criminosa há pelo menos cinco meses antes do ataque. Mensagens interceptadas pela polícia comprovam esse acompanhamento detalhado.
Papel de cada envolvido no homicídio
De acordo com as apurações da Delegacia de Homicídios, as funções dos suspeitos no crime são bem definidas:
- José Ricardo Gomes Simões: teria atuado como intermediário na negociação e no planejamento da execução.
- Alex de Oliveira Matos: participou diretamente da emboscada que resultou na morte de Fabrício Martins.
- Daniel Figueiredo Maia: policial militar acusado de coletar informações sobre a vítima, dados que foram utilizados no planejamento do homicídio.
No dia 29 de janeiro, a 2ª Vara Criminal aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou réus Adilsinho e os três outros suspeitos.
Morte de amigo amplia tragédia
Dois dias após o assassinato de Fabrício, Fábio Alamar Leite foi morto ao sair do enterro do amigo, no cemitério de Inhaúma. Fabrício e Fábio eram ex-sócios em uma empresa de caminhões para transporte de gelo, e os veículos da empresa foram monitorados pela organização criminosa.
As investigações apontam que houve diversas tentativas de emboscada contra a dupla antes das execuções. No dia do funeral, José Ricardo fotografou o carro de Fábio e repassou o material para um contato com número internacional.
Conexões com outros crimes e rede criminosa
Segundo a polícia, Simões prestava contas diretamente a Rafael do Nascimento Dutra, o Sem Alma, considerado um dos principais matadores de um grupo de extermínio ligado a Adilsinho. José Ricardo já havia sido preso em março de 2023 pela morte de Marquinhos Catiri, um miliciano que era chefe de segurança do bicheiro Bernardo Bello.
O PM Daniel Figueiredo Maia também foi preso anteriormente por participação no homicídio de Cristiano Souza, em 2023. Confrontos balísticos indicaram que as mesmas armas foram utilizadas nas mortes de Fabrício Martins, Fábio Alamar e Cristiano de Souza.
Motivação do crime pode ter sido engano
As investigações da Polícia Civil sugerem que Fabrício Martins já havia atuado no mercado de cigarros ilegais, mas estava afastado dessa atividade. A dupla teria sido morta por engano: eles emprestaram os caminhões de sua empresa de gelo para um terceiro, que usaria os veículos para transportar cigarros.
Esse fato teria desagradado a quadrilha de Adilsinho, que acreditava que Fabrício e Fábio estivessem comercializando cigarros sem autorização da organização criminosa.
Histórico criminal de Adilsinho
Adilson Coutinho Filho acumula outros três mandados de prisão:
- Na Justiça Federal, é apontado como chefe da máfia dos cigarros.
- Na Justiça do Rio, responde como mandante dos assassinatos de rivais no Jogo do Bicho.
- Na Justiça do Rio, também é acusado de ser mandante do assassinato de Fábio Alamar Leite.
Ele ainda é investigado pela Polícia Civil como possível mandante de outras mortes. Dono de uma tabacaria, Cristiano Souza é mais uma vítima de homicídios ligados à máfia dos cigarros ilegais comandada por Adilsinho, conforme apurado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público do Rio.
Contexto de violência e monopólio criminoso
Pelo menos 27 crimes, incluindo tentativas de homicídio, assassinatos e sequestros, foram cometidos para forçar a criação de um monopólio violento no mercado de cigarros, financiado com dinheiro do jogo do bicho. A máfia do cigarro controla a venda em 45 das 92 cidades do Rio de Janeiro e cresce com base em ações extremamente violentas.
Entre os crimes registrados, há assassinatos de possíveis rivais, execuções de ex-aliados e mortes de pessoas que se recusavam a vender o cigarro da quadrilha. A operação em curso representa mais um capítulo no combate a essa rede criminosa entrincheirada no estado.



