Operação prende 5 por tráfico de fuzis no RJ, MG e ES; esquema usava criptomoedas e fachadas
Operação prende 5 por tráfico de fuzis no RJ, MG e ES

Operação Fim da Rota prende cinco suspeitos em esquema interestadual de tráfico de fuzis

Agentes da Delegacia de Combate aos Crimes Organizados e Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) efetuaram a prisão de cinco indivíduos na manhã desta quinta-feira, 26 de setembro, durante a Operação Fim da Rota. A ação tem como alvo um núcleo da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP), voltado para o tráfico interestadual de drogas e armas de fogo, com destaque para fuzis do tipo AR-10.

Alcance geográfico e perfil inédito dos investigados

A operação se desdobrou na capital fluminense, nos municípios de São Gonçalo e Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, e também nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Um aspecto que chama a atenção, segundo as autoridades, é o perfil dos investigados: diferentemente de operações tradicionais, que focam em criminosos já conhecidos, esta investigação identificou integrantes sem passagens policiais ou anotações criminais.

Essas pessoas viviam fora de comunidades dominadas pelo tráfico e mantinham uma rotina aparentemente regular, o que dificultava sua identificação pelas forças de segurança. As equipes policiais mapearam movimentações suspeitas, incluindo o uso de criptoativos, empresas de fachada e contas de laranjas para ocultar atividades ilícitas.

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Estratégias sofisticadas de evasão e logística

O rastreamento permitiu identificar facilitadores financeiros e proprietários formais de bens utilizados para dar aparência de legalidade aos lucros do tráfico. As investigações apontaram que o chefe do grupo coordena as ações de dentro do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. Para escapar da fiscalização, o operador central fazia a ligação entre fornecedores no Rio e distribuidores em outros estados, utilizando uma fachada comercial para transportar fuzis e grandes cargas de entorpecentes.

O esquema adotava estratégias avançadas para driblar a fiscalização, como:

  • Comunicação criptografada entre os membros.
  • Veículos adaptados com compartimentos ocultos para esconder drogas e armas.
  • Recrutamento de novos integrantes para a cadeia logística, ampliando a rede criminosa.

Mecanismos financeiros para lavagem de dinheiro

Na esfera financeira, o grupo utilizava principalmente:

  1. Transferências via Pix para movimentar recursos rapidamente.
  2. Depósitos em contas de pessoas físicas e jurídicas para dispersar os valores.
  3. Empresas de fachada para simular atividades legítimas.
  4. Práticas de agiotagem e fracionamento de valores, numa tentativa de mascarar a origem ilícita dos recursos.

Esses mecanismos visavam dificultar o rastreamento pelas autoridades e legitimar os ganhos obtidos com o tráfico.

Apoio interinstitucional e objetivos estratégicos

A operação conta com o apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), do Departamento-Geral de Polícia do Interior (DGPI) e de policiais civis de Minas Gerais e Espírito Santo. Eles cumprem simultaneamente mandados de prisão e de busca e apreensão em diversas localidades.

A ofensiva busca atingir, de forma estratégica e simultânea, tanto a ponta armada quanto o braço financeiro do TCP. O objetivo é desarticular não apenas a distribuição de armas e drogas, mas também as estruturas econômicas que sustentam o crime organizado, prevenindo futuras atividades ilícitas.

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