A Polícia Civil de Mato Grosso realizou uma grande operação nesta terça-feira (10) que resultou na prisão de 12 pessoas suspeitas de integrar uma facção criminosa especializada em lavagem de dinheiro. A ação, batizada de Operação Imperium, foi cumprida em Rondonópolis, a 218 quilômetros de Cuiabá, e também nos estados do Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Escala nacional da operação policial
Durante a operação, foram cumpridas 61 ordens judiciais, incluindo 14 mandados de busca e apreensão. As medidas resultaram no sequestro de quatro imóveis avaliados em mais de R$ 4 milhões, além da apreensão de 10 veículos de luxo e do bloqueio de contas bancárias de 21 investigados, com valores que somam até R$ 43 milhões.
As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça do Juiz de Garantias de Rondonópolis e são fruto de investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), ambas sediadas em Cuiabá.
Distribuição geográfica das atividades criminosas
Segundo as investigações, a facção criminosa atuava em diferentes estados com funções específicas em cada local:
- Rondonópolis (MT): funcionava como o núcleo empresarial da organização criminosa
- Paraná: estado onde foi identificada a principal operadora financeira do grupo
- Minas Gerais: local em que um dos investigados era responsável pela compra de imóveis
- Rio de Janeiro: onde atuavam operadores patrimoniais ligados à facção
Líder foragido e esquema de lavagem
A investigação apontou que o esquema era liderado por um indivíduo considerado de alta periculosidade e apontado como uma das principais lideranças da facção no sul de Mato Grosso. Este suspeito está foragido desde julho de 2023, quando fugiu do Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá.
Curiosamente, durante sua fuga, o criminoso chegou a almoçar em uma churrascaria na Avenida Miguel Sutil, em Cuiabá, acompanhado de outro detento e duas mulheres, deixando o local posteriormente em uma caminhonete.
Mecanismos de ocultação de patrimônio
De acordo com a Polícia Civil, após a fuga, o líder da facção, sua esposa e pessoas próximas passaram a utilizar documentos falsos para abrir contas bancárias e registrar empresas de fachada. O objetivo era ocultar a origem do dinheiro, movimentar valores ilegais e adquirir bens de alto valor, como imóveis e veículos de luxo.
As investigações revelaram que empresas registradas em Rondonópolis recebiam dinheiro de integrantes da facção e reinseriam esses valores no mercado por meio da compra de bens e repasse de lucros a outros membros da organização.
Objetivos estratégicos da operação
Segundo o delegado responsável pelo caso, Marlon Luz, a operação tem como principal objetivo enfraquecer financeiramente a facção criminosa, por meio do bloqueio de contas e do sequestro de bens, para evitar que o patrimônio ilícito seja ocultado ou dissipado.
O nome Imperium faz referência ao patrimônio ilícito construído e movimentado pela facção ao longo de dois anos de atividades criminosas.
Integração com iniciativas nacionais
Esta ação faz parte do planejamento estratégico da Polícia Civil dentro da Operação Inter Partes, ligada ao programa Tolerância Zero do Governo de Mato Grosso. Além disso, a operação integra as ações da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim), coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A Renorcrim reúne forças de segurança de todo o país para combater o crime organizado de forma integrada e coordenada, demonstrando a importância desta operação no contexto nacional de segurança pública.
A maior parte dos mandados foi cumprida em Rondonópolis, evidenciando o papel central desta cidade no esquema criminoso desmantelado pela Polícia Civil.



