Operação Malecón desmantela rede de tráfico de cubanos pela fronteira Brasil-Guiana
Operação desmantela tráfico de cubanos pela fronteira com Guiana

Operação Malecón desmantela esquema de tráfico de cubanos pela fronteira com a Guiana

A Polícia Civil de Roraima deflagrou nesta quinta-feira (5) a Operação Malecón, que mira um sofisticado esquema de tráfico humano envolvendo migrantes cubanos. As investigações apontam que a organização criminosa utilizava a fronteira do Brasil com a Guiana como rota principal para a entrada ilegal das vítimas no território nacional.

Números alarmantes e estrutura clandestina

Segundo o delegado titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Organizados (Draco), Wesley Costa de Oliveira, estima-se que ao menos 200 migrantes cubanos tenham sido vítimas dessa rede apenas nos últimos três meses. Esse total refere-se a uma das células da organização, que montou um hostel clandestino em Boa Vista, com mais de 30 camas, para abrigar temporariamente os traficados.

“Nós conseguimos precisar que, no mínimo, cerca de 200 cubanos utilizaram os serviços dessa estrutura criminosa nos últimos três meses, apenas dessa célula. Acreditamos que outras pessoas também tenham passado por esse esquema e por outras células semelhantes”, afirmou o delegado. A polícia suspeita que o número real de vítimas seja ainda maior, considerando que o grupo atuava há pelo menos um ano.

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Detenção e apreensões

Durante a operação, foi preso em flagrante o venezuelano José Alberto Lira Lezama, de 32 anos, suspeito de comandar o esquema na região. Além disso, os policiais apreenderam R$ 12 mil em espécie, valor que seria proveniente das atividades ilícitas. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e possíveis novas células do grupo criminoso.

Rota internacional e modus operandi

As apurações revelaram que os cubanos eram aliciados ainda em seu país de origem e seguiam de avião até Georgetown, na Guiana. De lá, aproveitando a ausência de exigência de visto para entrada no país vizinho, faziam o percurso terrestre até o Brasil, passando por Lethem, e chegando a Boa Vista, em Roraima.

“Eles optam por essa rota porque não há exigência de visto para entrada na Guiana. A partir daí, fazem o percurso terrestre até o Brasil, utilizando o apoio de coiotes e de uma rede criminosa estruturada”, explicou Wesley. Roraima vem se consolidando como um corredor internacional para o tráfico de pessoas, cenário semelhante ao observado anteriormente com migrantes venezuelanos.

Organização em núcleos e crimes conexos

A estrutura criminosa era dividida em núcleos especializados:

  • Grupo de deslocamento: Responsável pelo transporte entre a Guiana e Boa Vista.
  • Grupo de alojamento: Cuidava da hospedagem clandestina dos migrantes na capital roraimense.
  • Grupo de logística: Organizava o envio das vítimas para outros estados brasileiros, como Manaus, Curitiba, Brasília e São Paulo, utilizando ônibus ou avião.

Além do crime de tráfico de pessoas, o grupo também é investigado por estelionato, com a emissão fraudulenta de passagens aéreas usando milhas furtadas de terceiros. Em alguns casos, os cubanos eram impedidos de embarcar ao tentarem viajar, agravando sua situação de vulnerabilidade.

Contexto e continuidade das investigações

O esquema começou a ser investigado pela Draco desde o fim de janeiro, após denúncias das próprias vítimas. Inicialmente, os criminosos usavam casas particulares para abrigar os migrantes, mas, com o aumento do fluxo, montaram a estrutura maior do hostel clandestino. As buscas da Operação Malecón foram realizadas nos bairros Buritis e Tancredo Neves, na zona Oeste de Boa Vista.

A Polícia Civil reforça que as investigações seguem em andamento para desarticular completamente a rede e apurar a extensão total dos crimes cometidos, visando a responsabilização de todos os envolvidos nesse grave caso de violação dos direitos humanos.

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