Operação Shadowgun desmantela rede interestadual de venda de armas impressas em 3D no Brasil
Operação desmantela rede de venda de armas impressas em 3D no Brasil

Operação Shadowgun desmantela esquema interestadual de venda de armas fabricadas com impressoras 3D

Uma ação conjunta da Polícia Civil, do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e do Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público resultou na desarticulação de uma rede criminosa dedicada à produção e comercialização de armas de fogo fabricadas com impressoras 3D. Batizada de Operação Shadowgun, a iniciativa foi deflagrada na quinta-feira, 12 de março de 2026, e já levou à prisão de quatro indivíduos, incluindo o apontado como chefe da quadrilha.

Mandados cumpridos em 11 estados brasileiros

Durante a operação, foram cumpridos quatro mandados de prisão no estado de São Paulo e 32 mandados de busca e apreensão distribuídos por 11 unidades federativas do país. Os estados atingidos pelas diligências policiais são:

  • Bahia
  • Espírito Santo
  • Goiás
  • Minas Gerais
  • Pará
  • Paraíba
  • Rio de Janeiro
  • Rio Grande do Sul
  • Roraima
  • Santa Catarina
  • São Paulo

Segundo informações da Polícia Civil, a investigação teve início após um alerta compartilhado por um órgão internacional com o Laboratório de Operações Cibernéticas (CIBERLAB), que apontava para um usuário de rede social suspeito de desenvolver e vender armamentos impressos em 3D.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Esquema sofisticado e manual detalhado

O líder da organização criminosa, identificado como um engenheiro especializado em controle e automação, atuava como o principal desenvolvedor técnico do armamento. Sob um pseudônimo, ele divulgou na internet um manual de mais de 100 páginas que descrevia minuciosamente todas as etapas necessárias para a fabricação das chamadas 'armas fantasmas' – dispositivos sem rastreabilidade que podem ser montados com materiais de fácil acesso.

De acordo com a corporação, o documento permitia que qualquer pessoa com conhecimentos intermediários em impressão 3D produzisse o armamento em poucas semanas, utilizando equipamentos de baixo custo. Além das instruções técnicas, o manual era acompanhado por um manifesto ideológico que defendia o porte irrestrito de armas e incentivava o uso de criptomoedas para financiar a organização criminosa.

Estrutura da quadrilha e alcance das vendas

O chefe do esquema atuava em conjunto com três comparsas, cada um com funções específicas que iam desde a articulação filosófica até a publicidade em fóruns especializados e na dark web. A quadrilha fabricava principalmente armas semiautomáticas e carregadores alongados de pistolas de diversos calibres, comercializando o material bélico através da internet.

As investigações revelaram que, entre os anos de 2021 e 2022, o grupo efetuou vendas para 79 compradores distribuídos por 11 estados brasileiros. A maioria desses clientes possuía antecedentes criminais por tráfico de drogas e outros delitos graves. Nos anos seguintes, os criminosos passaram a negociar com os compradores por meio de outros canais e plataformas, ampliando ainda mais o alcance da operação.

Destino das armas e investigações em andamento

A 32ª Delegacia de Polícia (Taquara) está apurando o destino final das armas apreendidas, com fortes indícios de que os armamentos foram adquiridos por organizações de tráfico de drogas e milícias. A Polícia Civil informou que um dos compradores já se encontra preso por porte de grande quantidade de armas e munições.

No estado do Rio de Janeiro, as investigações identificaram 10 clientes da rede criminosa, reforçando a extensão nacional do esquema. A operação Shadowgun representa um marco no combate à produção clandestina de armamentos no Brasil, destacando os riscos associados às tecnologias de impressão 3D quando utilizadas para fins ilícitos.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar