MPF denuncia 13 investigados por esquema milionário de lavagem de dinheiro
O Ministério Público Federal (MPF) apresentou denúncia contra 13 investigados na segunda fase da operação Narco Azimut, acusando-os de integrar uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro que movimentou impressionantes R$ 262 milhões apenas em 2025. Segundo as acusações do órgão ministerial, o grupo atuava de forma coordenada para ocultar recursos originados de atividades ilícitas diversas, incluindo o tráfico internacional de drogas, a organização de rifas ilegais e apostas em plataformas sem qualquer tipo de regulamentação no território brasileiro.
Esquema complexo e ramificações investigativas
Caso a Justiça Federal aceite a denúncia, os envolvidos responderão judicialmente por crimes graves como associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Os nomes específicos dos denunciados ainda não foram divulgados publicamente, o que, conforme explicado pelo MPF, impossibilitou o contato direto com suas respectivas defesas jurídicas. O processo corre atualmente sob sigilo judicial, garantindo a confidencialidade das investigações em andamento.
As apurações que culminaram nesta denúncia representam um significativo desdobramento das operações anteriores denominadas Narco Vela, Narco Bet e da primeira fase da própria Narco Azimut, que foi deflagrada inicialmente em janeiro do corrente ano. O conjunto robusto de evidências coletadas pelas autoridades aponta claramente para a existência de um esquema criminoso mais amplo e sofisticado, voltado especificamente para a ocultação sistemática da origem ilícita de vultosos recursos financeiros.
Perfil diversificado dos envolvidos e novas frentes
Este esquema contou com a participação ativa de um leque variado de indivíduos, incluindo empresários, doleiros, influenciadores digitais com grande alcance e nomes conhecidos da cena musical brasileira. Nesta quarta-feira, dia 15, a Polícia Federal deu início a uma nova e importante frente de investigação com a operação batizada de Narco Fluxo, que tem como foco principal o desmantelamento do núcleo financeiro central da organização criminosa. Nesta fase mais recente, foram efetuadas prisões de figuras públicas, como os cantores MC Ryan e MC Poze do Rodo, entre outros alvos de alto perfil.
Conforme detalhado pelo Ministério Público Federal em sua denúncia, os 13 indivíduos agora acusados formavam um grupo estruturado e hierarquizado, com uma clara divisão de tarefas e uma atuação profundamente coordenada, estrategicamente desenhada para dificultar ao máximo o rastreamento das transações financeiras e, assim, conferir uma aparência de legalidade ao dinheiro de origem manifestamente ilegal.
Métodos sofisticados de ocultação e movimentação de recursos
Entre as práticas fraudulentas identificadas e detalhadas na denúncia ministerial, destacam-se:
- A fragmentação intencional de operações financeiras de grande porte.
- A distribuição estratégica de valores em múltiplas contas bancárias e instituições financeiras.
- O uso recorrente de pessoas físicas e jurídicas atuando como intermediárias ou laranjas.
- A utilização de mecanismos informais e paralelos de compensação financeira.
Os volumosos recursos eram movimentados pelos criminosos tanto em espécie (dinheiro vivo) quanto por meio de modernos instrumentos financeiros, como transferências bancárias tradicionais, transações instantâneas via Pix e operações complexas envolvendo criptoativos, conforme explicou a Procuradoria. Parte considerável desses valores também teria sido enviada clandestinamente ao exterior, contornando deliberadamente os mecanismos oficiais de controle das autoridades financeiras e fiscais brasileiras.
Contexto processual e medidas cautelares determinadas
A denúncia apresentada agora pelo MPF constitui a 12ª ação judicial no âmbito das extensas investigações sobre este esquema criminoso. Segundo informações oficiais do Ministério Público, as provas foram meticulosamente reunidas após o cumprimento integral de mandados judiciais de busca e apreensão durante a segunda fase da operação Narco Azimut. Os trabalhos técnicos e investigativos do MPF contaram com o apoio especializado do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do estado de São Paulo.
A segunda fase desta ação operacional foi deflagrada em março do presente ano. A Justiça Federal, com base nas evidências, determinou o cumprimento de 26 mandados judiciais, incluindo ordens de busca e apreensão e de prisão temporária. Além disso, foram decretadas medidas cautelares rigorosas, como o sequestro de bens e valores dos investigados até o limite total de R$ 934 milhões e a imposição de restrições societárias severas, incluindo a proibição expressa de movimentação empresarial e de transferência de patrimônio.
De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Federal, os envolvidos utilizavam empresas de fachada e terceiros para conferir uma aparência enganosa de legalidade aos recursos ilícitos, promovendo operações financeiras de alto valor nominal e complexas movimentações com criptomoedas com o único propósito de ocultar a origem criminosa do dinheiro. Eles agora enfrentam a perspectiva de responder criminalmente pelos delitos de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.



