Operação policial combate organização criminosa especializada em descarte ilegal de resíduos
A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta sexta-feira, 13 de março de 2026, uma operação de grande porte contra uma organização criminosa investigada por um esquema de descarte clandestino de lixo na região de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A ação, conduzida pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), resultou na execução de 86 mandados de busca e apreensão e na prisão em flagrante de duas pessoas.
Ligações com o Comando Vermelho e impacto ambiental
As investigações apontaram que o grupo criminoso tem ligações diretas com o Comando Vermelho (CV), uma das maiores facções criminosas do país, que teria favorecido a continuidade das atividades ilícitas. O local em questão funcionava historicamente como o maior lixão a céu aberto da América Latina, mas foi oficialmente fechado em 2012 devido ao severo impacto ambiental na Baía de Guanabara.
No entanto, a organização criminosa estaria operando um esquema paralelo, recebendo lixo em pontos não licenciados, incluindo resíduos domésticos, em violação flagrante da legislação ambiental. Policiais identificaram um fluxo constante de caminhões, abertura de novos acessos e até mesmo o avanço sobre áreas de manguezal protegidas.
Abrangência da operação e métodos de investigação
Os mandados foram cumpridos em múltiplas localidades:
- No Rio de Janeiro: Duque de Caxias, Magé, Belford Roxo, Mesquita, São João de Meriti, São Gonçalo, Paracambi, Seropédica, Resende e Paty do Alferes.
- Em Minas Gerais: São Lourenço.
A investigação utilizou uma combinação sofisticada de técnicas, incluindo:
- Levantamentos técnicos ambientais detalhados.
- Monitoramento territorial contínuo.
- Registros de imagens e vigilância velada.
- Análise comparativa de fotografias históricas para mapear a expansão das áreas usadas.
Esses métodos permitiram identificar não apenas os caminhões envolvidos, mas também os motoristas e a estrutura logística do esquema.
Mercado ilegal e vantagens financeiras
O descarte clandestino faz parte de um mercado ilegal lucrativo que tem como principal objetivo reduzir custos operacionais de forma drástica. Enquanto o ponto de descarte regular mais próximo está a cerca de 70 quilômetros de Jardim Gramacho, com um trajeto de uma hora e custo aproximado de R$ 694 por caminhão (somando combustível e transporte de carga de até seis toneladas), no esquema ilegal o valor despenca para apenas R$ 25 por caminhão.
Essa diferença abissal de custos explica a persistência e a escala das operações criminosas, que comprometem seriamente o meio ambiente e a saúde pública da região. A operação representa um importante golpe nas finanças ilícitas do Comando Vermelho e na estrutura logística de descarte de resíduos na Baixada Fluminense.



