A delegada Layla Lima Ayub, que havia tomado posse recentemente, foi presa nesta sexta-feira (16) sob suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As investigações do Ministério Público apontam que ela teria atuado irregularmente como advogada em defesa de presos ligados à facção criminosa, mesmo após assumir o cargo público.
Operação prende delegada e namorado, apontado como chefe do tráfico
A prisão foi decretada pela Justiça a pedido do Ministério Público. Layla e seu namorado, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel, foram presos temporariamente. Ele é identificado pelas autoridades da Região Norte como integrante do PCC e um dos chefes do tráfico de armas e drogas em Roraima.
O casal é investigado pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A operação policial também cumpriu sete mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo e Marabá, no Pará. Um dos locais vasculhados foi a Academia da Polícia Civil, no Butantã, Zona Oeste de São Paulo, onde a delegada mantinha um armário.
Advocacia irregular para o PCC nove dias após posse
Segundo as investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), em 28 de dezembro do ano passado, apenas nove dias após sua posse, Layla atuou como advogada na defesa de um integrante do PCC. O indivíduo estava entre quatro presos em flagrante pela Polícia Militar em Rondon do Pará, a 523 km de Belém.
Esta conduta é expressamente proibida. Tanto o Estatuto da Advocacia quanto normas estaduais vedam a delegados de polícia o exercício da advocacia privada. Os promotores suspeitam que Layla usava o cargo para favorecer a facção, já que, como delegada, teria acesso a inquéritos e bancos de dados com informações restritas.
Padaria em Itaquera e perfil profissional
As investigações também revelam que Layla e o namorado teriam adquirido uma padaria em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, com dinheiro de origem ilícita. Eles usaram o nome de um "laranja" para esconder a real propriedade do negócio.
Em suas redes sociais, Layla se apresentava como ex-advogada, especialista em Direito Penal e Processo Penal, e ex-policial militar do Espírito Santo. Em março do ano passado, ela passou a integrar a Comissão da Criança e do Adolescente da OAB Subseção Marabá, no Pará.
Sua posse como delegada ocorreu em 19 de dezembro, em solenidade no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. A reportagem tenta contato com a defesa da delegada para obter um posicionamento sobre as acusações.