Bicheiro Adilsinho é preso pela Polícia Federal em mansão de luxo em Cabo Frio
Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, foi preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira (26) em uma mansão localizada em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Considerado um dos bicheiros mais procurados do estado, Adilsinho é apontado em investigações como um dos principais responsáveis pela máfia do monopólio dos cigarros ilegais no Rio.
Três mandados de prisão em aberto e influência no crime organizado
O bicheiro tinha ao menos três mandados de prisão em aberto no momento da captura. A defesa dele ainda não se posicionou oficialmente sobre a prisão. Ao longo dos últimos anos, o nome de Adilsinho foi associado a diversas atividades ilícitas e eventos de alto luxo, incluindo:
- Controle de parte do jogo do bicho em uma área importante da Região Metropolitana do Rio;
- Expansão dos negócios para áreas da Zona Sul, Centro e Zona Norte da capital, anteriormente controladas pelo bicheiro Bernardo Bello, que está foragido;
- Participação na máfia dos cigarros ilegais, com investigações apontando-o como chefe do esquema criminoso.
Diálogos interceptados revelam poder na contravenção
Um diálogo interceptado pela polícia, apreendido no celular de José Ricardo Simões, acusado de envolvimento na morte do rival Marquinhos Catiri, evidencia o poder de Adilsinho no mundo do bicho e sua influência no negócio dos cigarros ilegais. Nas conversas, um dos homens apontado como comparsa do grupo afirma: “Jogo de bicho, contravenção, é família. É máfia. Maior máfia do Brasil. Não entra ninguém de fora”. Outro responde: “O cara tem uma moral do caralh*. Ele (Capitão Guimarães), quando entrou (na contravenção), lembrou Adilsinho, saiu matando os bicheiro todinhos”.
Operações policiais e conexões com homicídios
Em 2023, seguranças de Adilsinho foram alvos de uma operação por suspeita de participação em oito homicídios, ocorridos no Rio de Janeiro e no Maranhão. Entre os crimes está o assassinato de Catiri, sendo que vários dos investigados são policiais. Operações como “Smoke Free”, de novembro de 2022, e “Fumus”, em junho de 2021, resultaram em quase 70 mandados de prisão expedidos pela Justiça, com Adilsinho e Cláudio Coutinho de Oliveira entre os alvos.
Luxo, futebol e festas milionárias
A receita para a notoriedade de Adilsinho também inclui luxo e envolvimento com o futebol. Em 2010, ele fundou o Clube Atlético Barra da Tijuca, agremiação que disputou divisões inferiores do campeonato estadual, onde atuou como jogador e batedor oficial de pênaltis. Em 2021, durante a pandemia de Covid-19, uma festa de aniversário de 51 anos no Copacabana Palace chamou a atenção pela aglomeração e pelo custo estimado em R$ 4 milhões, com apresentações de famosos como Ludmilla, Gusttavo Lima, Alexandre Pires e Mumuzinho. O convite da festa utilizou a trilha do filme “Poderoso Chefão”, em uma clara referência à máfia.
Defesa alega inocência e presidência de honra no Salgueiro
Recentemente, Adilsinho assumiu a presidência de honra da escola de samba Salgueiro, seguindo o padrão de antigos bicheiros que buscam uma escola para chamar de sua. No mundo da contravenção, ele defende a criação de uma “nova cúpula” do jogo do bicho. A defesa de Adilsinho, quando procurada, limitou-se a afirmar que “reitera a inocência” do cliente, sem fornecer mais detalhes sobre o caso.



