Bicheiro Adilsinho é preso pela PF e Polícia Civil após operação em Cabo Frio
Bicheiro Adilsinho preso pela PF e Polícia Civil em Cabo Frio

Operação conjunta prende bicheiro Adilsinho em mansão de luxo em Cabo Frio

Na manhã desta quinta-feira (26), uma operação integrada da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), composta por policiais federais e civis, resultou na prisão do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. A captura ocorreu em uma mansão alugada no bairro do Portinho, em Cabo Frio, após intenso monitoramento do policial militar Diego Lima, segurança mais próximo do criminoso.

Monitoramento e ação coordenada levam à prisão

Desde segunda-feira (23), agentes das polícias Civil e Federal estavam no município em busca de informações que pudessem levar ao paradeiro de Adilsinho. A operação foi montada após a confirmação de que ele havia sido visto em um ponto de Cabo Frio. Por volta das 8h desta quinta, quando Adilsinho fazia exercícios físicos com Diego Lima, a investigação conseguiu confirmar sua presença na casa.

Ao perceberem a presença do bicheiro no local, as equipes policiais acionaram um helicóptero. Quando a aeronave chegou, oito policiais já estavam posicionados próximo ao imóvel. Adilsinho e o policial militar tentaram fugir em direção oposta, mas foram rendidos pelos agentes.

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Criminoso era um dos mais procurados do Rio

Adilsinho era procurado há um ano e três meses, com cinco mandados de prisão em aberto. Segundo investigações, ele já era alvo de pelo menos 20 ocorrências envolvendo assassinatos, tentativas de homicídios e sequestros. Os crimes eram cometidos para manter o controle do mercado de cigarros ilegais e eliminar rivais no jogo do bicho.

O delegado Fábio Galvão, superintendente da PF no Rio de Janeiro, destacou a importância da prisão: "Um trabalho árduo, muito difícil. Terceira tentativa de prisão, o que é muito dificultado pela proteção, sobretudo de policiais, que goza principalmente a máfia do jogo do bicho e hoje a gente conseguiu prender o mais sanguinário dos capos do jogo do bicho".

Império criminoso com vasta rede de influência

A organização criminosa liderada por Adilsinho se expandiu quando ele passou a falsificar cigarros da marca Gift, produto que já era ilegal e chegava ao Brasil contrabandeado do Paraguai. Para isso, segundo a polícia, utilizava mão-de-obra paraguaia em condições análogas à escravidão.

Entre 2023 e 2025, a Polícia Federal desmontou três fábricas clandestinas da quadrilha na Baixada Fluminense. A máfia controlada por Adilsinho domina pelo menos 45 dos 92 municípios do Rio de Janeiro, quase metade do estado. Segundo estimativas da PF, o criminoso fatura cerca de R$ 50 milhões por mês com negócios ilegais.

O secretário da Polícia Civil, delegado Felipe Curi, ressaltou a gravidade dos crimes: "Importante ressaltar que esse marginal é responsável por dezenas de homicídios investigados pelas nossas delegacias de homicídio. Homicídios de rivais, de desafetos, de contraventores, integrantes da máfia do cigarro e também de alguns policiais".

Conexões com o poder e o mundo do samba

O dinheiro obtido ilegalmente, de acordo com os inquéritos, também era usado para corromper agentes públicos. Uma investigação da Delegacia de Homicídios identificou 23 policiais militares entre os seguranças de Adilsinho. Em 2022, na operação Smoke Free, um policial federal chegou a ser preso sob suspeita de vazar informações para o bicheiro.

Assim como outros bicheiros, Adilsinho buscou espaço no mundo do samba. Em março de 2024, tomou posse como patrono do Salgueiro. Em ligações interceptadas pela Polícia Federal, ele manifestou interesse em criar uma nova cúpula do jogo do bicho em parceria com o bicheiro Rogério Andrade, patrono da Mocidade Independente de Padre Miguel.

Defesa contesta narrativa de periculosidade

O advogado Ricardo Braga, que defende Adilsinho, divulgou uma nota contestando a imagem de periculosidade atribuída ao seu cliente: "As imagens da prisão de Adilson Oliveira Coutinho Filho evidenciam que tudo transcorreu dentro da mais absoluta tranquilidade, fato que desconstrói a narrativa de periculosidade atribuída ao empresário. A defesa reafirma, por fim, que o empresário confia na justiça e demonstrará sua inocência quanto a todos os fatos que lhe são injustamente imputados".

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A Polícia Federal já pediu à Justiça a transferência do criminoso para um presídio federal, enquanto a reportagem não conseguiu localizar a defesa do policial militar Diego D'arribada Rebello de Lima.