Bicheiro Adilsinho é preso em operação conjunta da PF e Polícia Civil do RJ
Bicheiro Adilsinho preso em operação da PF e Polícia Civil

Bicheiro Adilsinho é preso em operação conjunta da PF e Polícia Civil do Rio

O contraventor Adilson Oliveira Coutinho, mais conhecido como Adilsinho, foi preso na quinta-feira (26) durante uma operação conjunta realizada pela Polícia Federal e pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. A prisão marca um capítulo significativo no combate ao crime organizado no estado, com o bicheiro sendo apontado como uma das principais figuras da cúpula do jogo do bicho na região metropolitana.

Audiência de custódia e transferência para presídio federal

A audiência de custódia de Adilsinho está marcada para esta sexta-feira (27) às 12h, perante a Justiça Federal. Há expectativa de que a transferência do contraventor para um presídio federal ocorra ainda no final do mesmo dia, conforme determinação judicial. Paralelamente, o policial militar Diego D'Arribada Rebello de Lima, que atuava como segurança pessoal de Adilsinho e foi preso em conjunto, permanece detido na unidade prisional da Polícia Militar localizada em Niterói, na Região Metropolitana do Rio.

Histórico criminal e esquema milionário

As autoridades investigam Adilsinho há anos, identificando-o não apenas como herdeiro de uma das famílias mais tradicionais da contravenção carioca, mas também como comandante de um extenso esquema criminoso. Segundo as investigações, sua organização operava em múltiplas frentes ilícitas, incluindo a exploração de pontos de jogo do bicho em bairros da Zona Norte e da Baixada Fluminense, além da gestão de máquinas caça-níqueis distribuídas por bares e estabelecimentos comerciais.

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O esquema, conforme apurado pela polícia, movimentava valores milionários mensalmente, com parte significativa dos recursos sendo direcionada para sustentar a estrutura da organização e, segundo o Ministério Público, para corromper agentes públicos. A Polícia Federal estima que apenas a produção ilegal de cigarros rendesse à quadrilha um faturamento mínimo de R$ 50 milhões por mês.

Expansão para crimes violentos e contrabando

Além das contravenções tradicionais, Adilsinho é investigado por envolvimento em uma série de crimes graves. As autoridades suspeitam que seu grupo esteja ligado a assassinatos relacionados a disputas territoriais pelo controle do jogo do bicho, utilizando a violência como ferramenta de intimidação contra rivais e até contra membros da própria organização. Um dos casos em investigação é o homicídio do advogado Rodrigo Marinho Crespo, ocorrido em 26 de fevereiro de 2024, no qual Adilsinho é apontado como possível mandante.

Outro braço importante do esquema era o comércio ilegal de cigarros contrabandeados, principalmente originários do Paraguai. Esses produtos abasteciam pontos de venda na Região Metropolitana do Rio, ampliando os lucros da organização e fortalecendo sua presença em comunidades com menor fiscalização. Investigadores afirmam que os recursos gerados por essa atividade financiaram não apenas a corrupção de agentes públicos, mas também investimentos em atividades ilícitas no Paraná e um estilo de vida luxuoso nos Estados Unidos, incluindo a aquisição de carros Ferrari e um jatinho executivo avaliado em R$ 4,5 milhões.

Suspeitas de trabalho análogo à escravidão

As investigações também revelaram graves violações trabalhistas. Há suspeitas de que o grupo explorasse trabalhadores em condições degradantes em fábricas clandestinas de cigarros, onde indivíduos, majoritariamente paraguaios, eram submetidos a jornadas exaustivas e condições precárias de higiene e segurança. Em 2023, a Polícia Federal desmantelou uma dessas fábricas em Duque de Caxias, encontrando 19 pessoas em situação análoga à escravidão. Um caso similar foi descoberto pela Polícia Civil do RJ em julho de 2022, também na Baixada Fluminense.

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Posicionamento da defesa

O advogado Ricardo Braga, representante legal de Adilsinho, emitiu uma nota afirmando que a prisão ocorreu "dentro da mais absoluta tranquilidade". A defesa argumenta que as imagens do momento da detenção desconstroem a narrativa de periculosidade atribuída ao empresário e reafirma a confiança na Justiça, com a intenção de demonstrar a inocência de seu cliente em relação a todas as acusações. A reportagem não obteve contato com a defesa do policial militar Diego D'Arribada Rebello de Lima para comentários adicionais.